Minas Gerais recebe, em outubro, o Festival Gira da Palhaçaria Negra – BH (10/10 e 24/10) e Divinópolis em Cena (17/10), iniciativa que propõe um encontro entre artistas, públicos e territórios a partir da produção de palhaças e palhaços negros. Com atividades acessíveis em Libras, em Belo Horizonte e Divinópolis, o Festival amplia espaços de circulação para a palhaçaria negra e evidencia uma produção artística que articula humor, identidade, ancestralidade, criação contemporânea e representatividade.
Idealizado pela Trupe Gira, o Festival nasce da potência do riso como linguagem artística e também como possibilidade de construção de novas narrativas. Ao colocar artistas negros no centro da cena, a iniciativa contribui para ampliar referências no universo do circo e da palhaçaria, campo em que personagens, estéticas e tradições vêm sendo revisitados a partir de experiências e repertórios diversos.
Em Belo Horizonte, a programação acontece em dois sábados. O primeiro evento será no dia 10 de outubro, a partir das 19h, no Centro Cultural Lamparina Maria Goretti. O espaço de práticas culturais e formação comunitária, incluindo a capoeira fica situado à Rua Geralda Martins Miranda, 239 – Maria Goretti. No dia 24, terá a segunda apresentação em BH, a partir das 14h, no Kilombu Manzo. O espaço, à Rua São Tiago, 216, no bairro Santa Efigênia, profundamente conectado à cultura e à ancestralidade negras, receberá uma tarde de celebração e encontro.
Depois da capital, o Festival chega a Divinópolis, fortalecendo sua proposta de circulação e descentralização. Em Divinópolis, o Festival será realizado no dia 17 de outubro a partir das 19 horas, no Quintal das Artes – Trupe Boba (Rua Joaquim Nabuco, 471 – Porto Velho) – um espaço de criação e encontro da Trupe Boba, para retomar oficinas e processos artísticos desenvolvidos junto da Trupe Gira com artistas do território. A presença no município amplia o alcance da iniciativa para além de Belo Horizonte e promove o intercâmbio entre artistas, públicos e diferentes contextos culturais de Minas Gerais.
Elenco com protagonismo de pessoas negras e de terreiro
As rodas do festival reúnem artistas com diferentes trajetórias, linguagens e gerações:
La Loba da Rua – Amanda Maciel — artista ligada à criação e direção teatral e à Trupe Boba. Kely Couto — artista da dança, teatro e performance, acrobata, tecidista circense e capoeirista. Waldir Braga, Palhaço Pimentão — artista circense e palhaço, com trajetória iniciada no circo nos anos 1980. Fatão — atriz da Trupe Boba, com trajetória construída no teatro e em processos coletivos de criação. Led — artista da palhaçaria urbana, danças urbanas, comicidade física e palhaçaria hospitalar. Karu / Lamparina — multiartista, com trajetória da dança à palhaçaria. Marcus Carvalho, Palhaço P.i.n.g.a. — ator, dramaturgo, músico, diretor e palhaço, pesquisador de comicidade e cultura negra. Cícero Silva, Palhaço Titêtê — multiartista e arte-educador, atuante nas artes cênicas desde 1978. Gladson Braga — percussionista, compositor e diretor musical. Kelly Spínola — atriz, palhaça, arte-educadora e pesquisadora de teatros negros. Linde O Artista — multiartista de Divinópolis, com atuação em dança, teatro, capoeira e performance. Nico Elay — dançarino, coreógrafo, ator e percussionista, integrante da Trupe Boba e da Cia. Palco Preto. Agatha Jesus – Terragatha — artista de Divinópolis, com atuação em capoeira, dança, canto, percussão e experimentação cênica.
Mais do que reunir apresentações, o Festival propõe visibilidade para uma produção artística atravessada por diferentes experiências da população negra brasileira. Na palhaçaria, isso significa reconhecer outras matrizes de humor, outros corpos em cena e outras formas de estabelecer cumplicidade com o público.
“O Festival nasce do desejo de reconhecer e aproximar artistas negros que já constroem o circo em diferentes territórios, muitas vezes sem a visibilidade que suas trajetórias merecem. Quando colocamos Belo Horizonte e Divinópolis nessa mesma Gira, estamos criando encontros, fazendo circular saberes e fortalecendo uma rede. Para mim, esse movimento também dialoga com a pesquisa sobre Benjamim de Oliveira e com o Mapeamento Nacional do Circo Negro: é uma forma de olhar para a nossa história, reconhecer quem veio antes e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades para quem está fazendo circo agora”, afirma a idealizadora do Festival, Mariele Cristina Conceição, Palhaça Mar, multiartista, pedagoga e pesquisadora.
Quando falamos em palhaçaria negra, estamos falando também de memória, pertencimento e possibilidade. “Durante muito tempo, as contribuições de artistas negros para o circo brasileiro não receberam o reconhecimento proporcional à sua importância. O Festival quer contribuir para mudar esse olhar, não apenas recuperando histórias, mas principalmente criando condições para que artistas negros se encontrem, sejam vistos, estabeleçam redes e continuem produzindo novas referências”, afirma Mariele.
O Festival Gira da Palhaçaria Negra – BH e Divinópolis em Cena integra o projeto nº 33263, Edital 04/2026. A identidade institucional da iniciativa reúne a Trupe Gira na idealização e ações vinculadas à Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Sistema Nacional de Cultura e Ministério da Cultura, além do apoio da área de Cultura e Turismo do Governo de Minas Gerais.
SERVIÇO — BELO HORIZONTE
Festival Gira da Palhaçaria Negra – BH em Cena
Quando e onde: sábado, 10 de outubro, a partir das 19h, no Centro Cultural Lamparina — Maria Goretti (Rua Geralda Martins Miranda, 239 – Maria Goretti)
Entrada Gratuita e acessibilidade em Libras
Festival Gira da Palhaçaria Negra – BH em Cena
Quando e onde: sábado, 24 de outubro, a partir das 14h, no Kilombu Manzo (Rua São Tiago, 216 – Santa Efigênia)
Entrada Gratuita e acessibilidade em Libras
SERVIÇO — DIVINÓPOLIS
Festival Gira da Palhaçaria Negra –Divinópolis em Cena
Quando e onde: sábado, 17 de outubro, a partir das 19h, no Quintal das Artes – Trupe Boba — Porto Velho (Rua Joaquim Nabuco, 471 – Porto Velho)
Entrada Gratuita e acessibilidade em Libras
Programação completa em no instagram: @trupegira





















































































