De 14 a 18 de outubro, o festival reúne produções mineiras, clássicos restaurados, sessões comentadas e atividades formativas gratuitas em Belo Horizonte, além de programação on-line na plataforma de streaming nacional UbuPlay
A 6ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte acontece de 14 a 18 de outubro, com programação gratuita que destaca o cinema brasileiro, especialmente as produções realizadas em Minas Gerais. A mostra reúne filmes de diferentes regiões do país, obras internacionais, atividades formativas e encontros com realizadores. Entre os destaques está a sessão-homenagem a Grace Passô, com a exibição de Nosso Segredo, que integra o encerramento do festival.
Realizada pela Quiabo Produções, com correalização do Minas Tênis Clube, a edição marca a retomada do festival após o anúncio de cancelamento em agosto, motivado pela dificuldade de captação de recursos. A articulação com o clube permitiu viabilizar a realização do evento, que desde 2021 amplia a circulação de filmes realizados por pessoas negras e promove o acesso a cinematografias do Brasil, do continente africano e da diáspora.
Além da homenagem a Grace Passô, a programação inclui a abertura com Ana, en passant, de Fernanda Salgado; a exibição de Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, em sessão comentada pelo diretor; e a apresentação de O Natal dos Silva, de Gabriel Martins, pela primeira vez em uma sala de cinema. O festival também promove sessões com trilha sonora ao vivo, exibições de filmes restaurados de Marlon Riggs e oficinas voltadas à criação e à distribuição audiovisual.
Cinema brasileiro e produções mineiras em destaque
A abertura será na quarta-feira, 14 de outubro, com duas sessões de Ana, en passant, animação dirigida pela cineasta mineira Fernanda Salgado. A primeira acontece às 19h, na Sala 1, e será comentada pela equipe do filme. A obra acompanha Ana, uma jovem negra franco-brasileira que, após a morte da avó, viaja a Belo Horizonte e percorre uma cartografia afetiva da cidade, atravessada por memórias e conexões ancestrais. A segunda sessão está prevista para as 20h, na Sala 2.
Outro destaque é Se Eu Fosse Vivo… Vivia, de André Novais Oliveira, integrante da Filmes de Plástico. O longa será exibido no sábado, 17 de outubro, às 20h, na Sala 2, em sessão comentada pelo diretor. A obra também está na programação de domingo, dia 18, às 16h, na Sala 2. A sessão de sábado será uma oportunidade de discutir o filme pela primeira vez em Belo Horizonte com a presença de André Novais Oliveira, diretor da obra.
No domingo, às 16h, a Sala 1 recebe O Natal dos Silva, série dirigida por Gabriel Martins, também da Filmes de Plástico. Com duração de três horas, a sessão propõe uma experiência diferente para o público: assistir em uma sala de cinema a uma produção que chegou ao público por meio de plataformas de exibição. A obra acompanha os encontros e conflitos de uma família durante as celebrações de Natal.
A programação inclui ainda Nosso Segredo, de Grace Passô, na sessão-homenagem Maria José Novais Oliveira: Grace Passô — Linguagens em Expansão, no domingo, às 20h. A homenagem integra o encerramento do festival.
Cine Escrituras Pretas reúne realizadores de diferentes regiões
O eixo Cine Escrituras Pretas reúne filmes brasileiros de diferentes regiões, com sessões que promovem conversas com diretores e abrem espaço para compartilhar experiências de realização. A proposta é aproximar o público dos processos criativos e ampliar as possibilidades de leitura das obras.
Com curadoria de Kariny Martins, Vanessa Santos e Wally Fall, o Cine-Escrituras Pretas reúne filmes brasileiros em quatro sessões que exploram diferentes experiências, linguagens e modos de fazer cinema. A seleção parte de um conjunto expressivo de obras inscritas, incluindo, de forma inédita nesta edição, um número significativo de longas-metragens.
A proposta curatorial busca preservar a singularidade de cada filme e, ao mesmo tempo, estabelecer diálogos entre as obras. Em vez de adotar um único recorte temático, a seleção se organiza em torno de questões como corpos que inventam outras formas de existência; jovens diante dos desejos e dos impasses do futuro; territórios atravessados pela memória e pela ancestralidade; e narrativas que recorrem ao horror para elaborar experiências de violência e trauma.
Na quinta-feira, 15 de outubro, às 19h, a sessão Todos os Caminhos Levam ao Amanhã apresenta Fim de Verão de Júlia, de Douglas Oliveira; Dentro do Meu Peito Mora um Cão, de Gabriel Afonso; e Fundura, de Catapreta. A sessão será seguida de conversa com diretores e contará com recursos de acessibilidade em Libras e LSE, conforme a programação.
Na sexta-feira, dia 16, às 19h, a sessão Corpos Polifônicos reúne Xica Vive na Fumaça, de Vini Faustino; A Perdição de Lázaro, de Diego Paulino; e Tião Personal Dancer, de Aristótelis Tothi. Às 21h, a sessão Ir ao Futuro para Habitar o Presente apresenta Dynamite Som, o Futuro Lamento Negro, de Lia Letícia e Pedro Severien; Pesares, de Beatriz Ferraz; Luis do Charme, de Tuanny Medeiros; e Boulevard Arrudas, de Matheus Moura. Ambas as sessões incluem conversas com diretores.
Para Layla Braz, diretora da Quiabo Produções e coordenadora artística do festival, “o diálogo com realizadores é fundamental para ampliar a experiência do público. Os encontros permitem conhecer as condições de produção, as escolhas narrativas e as questões que atravessam cada filme”.
Clássicos restaurados e trilha sonora ao vivo
A programação internacional inclui Body and Soul, de Oscar Micheaux, cineasta norte-americano reconhecido como um dos pioneiros do cinema negro. Exibido na quinta-feira, 15 de outubro, às 18h30, na Sala 1, o filme de 1925 será acompanhado de trilha sonora ao vivo, executada pelo músico Negro Leo, e comentários de Janaína Oliveira.
O festival também dedica duas sessões aos 70 anos de Marlon Riggs, cineasta e ativista norte-americano cuja obra aborda questões de raça, identidade e experiência negra. Na sexta-feira, 16 de outubro, às 17h, a Sala 2 exibe Tongues Untied (Línguas Desatadas), de 1989. No sábado, 17 de outubro, no mesmo horário, será apresentado Black Is… Black Ain’t (Preto É… Preto Não É), de 1994. Os filmes restaurados serão acompanhados de apresentações e comentários de Janaína Oliveira, Bruno Duarte e Rodrigo Antônio.
Na quinta-feira, às 21h, a Sala 1 recebe ainda The Watermelon Woman, de Cheryl Dunye, em sessão que celebra os 30 anos do filme, com comentários de Tatiana Carvalho Costa.
Formação e experimentação audiovisual
A programação formativa inclui oficinas que aproximam cinema, artes visuais, memória e processos de criação. Na quinta-feira, 15 de outubro, às 10h, e na sexta-feira, dia 16, no mesmo horário, Pedro Neves ministra As Cores nas Telas: Um Olhar sobre Cinema e Artes Visuais, que investiga como as cores constroem atmosferas e sentidos nas imagens.
Na quinta-feira, às 14h, Janaína Oliveira conduz Oferendas Narrativas, Abrindo Caminhos para os Cinemas Negros, atividade dedicada às dimensões históricas, estéticas, poéticas e políticas dessas cinematografias.
Já na sexta-feira, às 14h, e no sábado, 17 de outubro, às 10h, Camila Kater ministra Imprimindo Memórias: Animação Termossensível, no Instituto Cervantes. A oficina parte de memórias pessoais e coletivas para a criação de animações quadro a quadro, utilizando imagens impressas em papel termossensível e intervenções artísticas.
Dois estudos de caso permitem ao público acompanhar filmes ainda em processo de realização. Na sexta-feira, às 15h, Fabio Rodrigues Filho apresenta Para Onde Haveremos de Ir?, trabalho em andamento que tem o ator Mário Gusmão como personagem central. No sábado, às 10h, Rodrigo Antônio apresenta A Jovem Pajé, longa que acompanha uma jovem médium em formação espiritual na Ilha do Marajó.
Os encontros propõem conversas sobre montagem, escolhas narrativas e os desafios de realizar filmes que dialogam com a memória, o território e as experiências das pessoas retratadas.
Distribuição e circulação dos cinemas negros
A Semana Lab — Residência em Distribuição amplia a programação para o ambiente on-line, com quatro aulas sobre os caminhos de circulação dos filmes. As atividades abordam as possibilidades de chegar às salas comerciais e alternativas, aos cineclubes e às universidades, discutindo como as obras podem alcançar diferentes públicos depois da produção.
A programação também inclui, no sábado, 17 de outubro, às 15h, a roda de conversa A Exibição de Filmes Internacionais em Festivais de Cinema Negro, com Layla Braz, Janaína Oliveira, Gabriel Barbosa, Rayanne Layssa e Kariny Martins. O encontro discutirá curadoria, acesso a filmes, negociação de direitos de exibição e estratégias para viabilizar sessões gratuitas ou a preços acessíveis. A atividade dará origem a um guia prático para a exibição de filmes internacionais.
Mostra Ibejis e encerramento
No domingo, 18 de outubro, a Mostra Ibejis reúne cinco produções brasileiras voltadas ao público infantil: Hacker Leonilia, de Gustavo Fontele Dourado; Rua 27, de Gabi Saegesser, Nathalia Flor e Roma Julia; Pedrinhas Miudinhas, de Isabelle Araújo (Muzenza Undembualuka); Comadre Florzinha, de Rai Diniz e Carlos Mosca; e Estrelas Pequenas numa Noite de Lua Cheia, de Adriano Monteiro.
O encerramento será às 20h, com a sessão-homenagem Maria José Novais Oliveira: Grace Passô — Linguagens em Expansão, dedicada ao filme Nosso Segredo, dirigido por Grace Passô.
Criada em 2021, a Semana de Cinema Negro é o principal projeto da Quiabo Produções, fundada por Layla Braz em 2017. Ao longo de suas edições, o festival tem contribuído para ampliar a circulação de obras realizadas por pessoas negras, promover a formação de público e aproximar espectadores de diferentes cinematografias do Brasil, da África e da diáspora.
Sobre a Quiabo Produções
Fundada por Layla Braz em 2017, a Quiabo Produções é especializada na realização de mostras e festivais de cinema em Minas Gerais e em outros estados. A empresa também atua com curadoria e programação e tem entre seus principais objetivos pensar a circulação de obras de realizadores negros em festivais de cinema.
A Semana de Cinema Negro é o principal projeto da Quiabo e um espaço em que a produtora coloca em prática uma perspectiva de construção coletiva e de trocas horizontais com as pessoas envolvidas nas realizações. “Entre os objetivos da empresa está também está na formação de público, possibilitando o acesso a diferentes cinematografias”, afirma Layla.
Sobre o Minas Tênis Clube
Um dos mais tradicionais e modernos clubes sociodesportivos do Brasil, que atua em 4 pilares: educação, lazer, cultura e esportes. Considerado um celeiro de atletas, com um vasto histórico de títulos nacionais, internacionais e olímpicos, com mais de 1.000 atletas federados, distribuídos em nove modalidades esportivas de alto rendimento.
A educação também está no DNA do Minas, que oferece 27 modalidades de cursos para cerca de 20 mil alunos minastenistas. O Clube ainda é um polo disseminador de cultura, com o Centro Cultural Unimed-BH Minas que conta com espaços públicos e eventos para produções artísticas e atividades recreativas que promovem saúde, lazer e bem-estar.
Serviço
6ª Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte
Quando: 14 a 18 de outubro de 2026.
Onde: Centro Cultural Unimed-BH Minas — Rua da Bahia, 2.244, 5º andar, Lourdes, Belo Horizonte (MG).
Quanto: Programação gratuita.
Ingressos: Retirada uma hora antes de cada sessão presencial.
Oficinas: Inscrições prévias, conforme orientações nos canais oficiais do festival.
Programação on-line: Ubuplay e site oficial da Semana de Cinema Negro.
Instagram: @semana.cinemanegrobh
Realização: Quiabo Produções |Correalização: Minas Tênis Clube
























































































