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Zé Campeiro celebra 30 anos com retrofit, nova marca e operação à la carte

Com retrofit, mudança de nome e consolidação do menu noturno, o antigo Fogão de Minas amadurece, traz a essência da culinária do interior para o bairro Planalto e prova que hospitalidade nunca sai de moda

Em um mercado gastronômico cada vez mais contemporâneo e veloz, onde restaurantes genuinamente mineiros vão se tornando menos frequentes — inclusive no próprio interior do estado —, preservar a essência da cozinha de raiz vai além de uma escolha de cardápio: é um compromisso cultural. Mais do que simplesmente alimentar, a culinária de Minas carrega uma memória afetiva capaz de despertar lembranças e criar vínculos profundos através do sabor. Movido pela vocação de preservar a gastronomia do estado e os costumes do interior, o restaurante Zé Campeiro celebra seus 30 anos vivendo um dos momentos mais importantes e maduros de sua consolidada trajetória.

A história do negócio começou a ser desenhada em 1996, quando Dona Ideir e Seu José abriram um modesto restaurante no bairro Planalto, em Belo Horizonte. Sem experiência prévia no mundo dos negócios, mas movidos por um instinto empreendedor afiado e uma conexão genuína com as raízes do interior, o casal soube traduzir como poucos o que o belo-horizontino busca na autêntica comida mineira De acordo com Hugo de Paula Toso, filho do casal e atual gestor do restaurante, a mãe fez questão, desde o primeiro dia, de ter um fogão a lenha de verdade em plena avenida movimentada. “Houve quem duvidasse daquela proposta e até de sua adequação à região, mas ela acreditou na ideia e contou com o apoio do meu pai”, conta Hugo. Ali nasceu o então Fogão de Minas!

Os filhos do casal, Hugo e Giovanna de Paula Toso, praticamente cresceram dentro do restaurante e, mesmo seguindo outros caminhos profissionais em determinados períodos, sempre se mantiveram conectados ao negócio. Essa ligação, inclusive, levou Hugo a enxergar o futuro da casa sob um novo prisma e a apresentar à família uma proposta de transformação. O projeto passou desde o reposicionamento e mudança de nome da marca, implantação de novos processos e sistemas e a capacitação da equipe, até o retrofit do espaço. Esse movimento marcou uma espécie de “passagem de bastão” na gestão, com Hugo assumindo a liderança desse processo de evolução, amparado pela presença ativa dos pais e pelo suporte fundamental de Giovanna.

Mineiridade à mesa: a junção que une sabor à experiência de sentir-se em casa 

Ao longo das três décadas de funcionamento, o sabor inconfundível da cozinha não apenas fidelizou clientes, mas criou uma forte conexão sentimental com o público de seu entorno. “É gratificante, e até bastante comum, a casa receber relatos de frequentadores que passaram longos períodos viajando e, ao retornarem a Belo Horizonte, fizeram do restaurante a primeira parada para “matar a saudade” da comida. Esse vínculo estabelecido pelo sabor talvez seja uma das marcas mais fortes da nossa trajetória.”, revela o gestor.

A reputação foi construída sobretudo na cozinha do almoço, sem a presença de um chef fixo e mantendo rigorosamente o mesmo padrão de tempero com base em uma receita de família mantida a sete chaves. “Mesmo com o recente reforço do Chef Samuel, que chegou para padronizar e otimizar processos sem alterar uma vírgula do tempero histórico, o preparo prioriza o artesanal. O feijão leva alho fresco socado no pilão na hora, a base é alho e sal puríssimos, e o uso de óleo limpo garante uma comida sempre saborosa e leve”, destaca Hugo.

No buffet do almoço, servido em um imponente fogão de alvenaria e acompanhado por carnes preparadas na char broiler — grelha que sela as carnes rapidamente, mantendo a suculência —, destacam-se tanto as iguarias da roça e os clássicos afetuosos, como o chouriço e a carne de panela, só para citar alguns, quanto opções leves para o cotidiano. Entre as mais de 70 sugestões oferecidas a cada almoço, há espaço de sobra para aquela autêntica comida do dia a dia, com grelhados no ponto, arroz soltinho e saladas frescas, garantindo desde o banquete afetivo até a refeição prática com puro gosto de casa.

De acordo com Hugo, todos esses sabores estão ligados a algo maior, que transcende a marcante experiência vinda da cozinha. O restaurante, segundo o gestor, procura preservar a mineiridade genuína, não apenas no cardápio, mas também na forma de receber e contar a cultura de Minas. Dentro desse cenário, dois valores muito importantes guiam o negócio: hospitalidade e simplicidade. “Existe uma busca constante por fazer com que as pessoas se sintam verdadeiramente bem recebidas, desde as relações dentro da própria equipe até a maneira como acolhemos quem entra pela nossa porta. E quando falamos em simplicidade, não estamos falando de ausência de cuidado ou elaboração. Pelo contrário. É uma simplicidade intencional: valorizar aquilo que é bom sem precisar descaracterizá-lo para torná-lo especial. É entender que uma comida, um ambiente ou uma forma de receber podem ser simples e, ainda assim, carregar muito cuidado, técnica e significado”, explica.

Os valores se manifestam no atendimento e também nos pequenos rituais que acompanham a refeição: no almoço, os clientes são recebidos com uma dose de cachaça de cortesia que funciona como uma verdadeira expedição pelos sabores do estado. A cada temporada, a casa dá voz a uma região diferente do interior — atualmente, vinda de Santo Antônio do Monte —, permitindo que o cliente não apenas deguste a bebida, mas leve consigo um pedaço da história de onde ela veio. Na saída, a despedida mantém o afeto de sempre, com o tradicional cafezinho coado acompanhado de rapadura.

Toda essa magia que une experiência e sabor acontece em um espaço de 351m², divididos entre salão principal, área de entrada com grandes mesões, salão lateral aconchegante, deck externo e um espaço exclusivo no segundo andar para eventos familiares. O retrofit recente renovou a fachada, inspirada na arquitetura dos casarões históricos de Ouro Preto, Tiradentes e Lavras Novas, com grandes janelas, molduras e cores marcantes — projeto assinado pelos irmãos Júnia Bernanos e Eduardo Henrique (Situar Projetos), com decoração interna de Gláucia Freitas (Natureza e Arte) e intervenções dos próprios fundadores. Por dentro, a sensação é de estar em uma acolhedora “casa de avó”, marcada por marcenaria rústica, marchetaria no caixa e peças garimpadas, como um telefone antigo da família e pilões.

Novo nome, mesmo DNA

Para preparar o negócio para os próximos 30 anos e sustentar os planos de expansão, a família conduziu um cuidadoso processo de reformulação. A mudança mais emblemática foi a transição do nome Fogão de Minas para Zé Campeiro, que buscou uma identidade singular, memorável e capaz de expressar com precisão toda a personalidade desenvolvida ao longo dos anos. O novo nome traduz a relação afetiva do belo-horizontino com o interior. “O ‘Zé’ representa aquele nome próximo, comum e coletivo, que conversa com todos, enquanto ‘Campeiro’ resgata a ligação com a terra, com as raízes e com o campo”, explica Hugo, que liderou o processo de mudança da marca.

Segundo o gestor, não houve uma mudança na essência da casa, que permanece profundamente ligada à comida mineira, à hospitalidade, à simplicidade e às referências do interior de Minas. “O que houve foi um amadurecimento. A casa ganhou uma sofisticação maior, mas sem perder seu caráter raiz. Antes, alguns elementos eram mais brutos e espontâneos. Hoje existe mais intenção por trás de cada escolha. Isso aparece na decoração, nos uniformes, na apresentação dos produtos e também na maneira como buscamos conduzir o atendimento e a experiência do cliente”, revela.

Ao longo das três décadas de funcionamento, o negócio passou por diversas ampliações e transformações. O restaurante começou muito pequeno, com aproximadamente um quinto da estrutura atual, e foi crescendo de forma gradual, aproveitando cada oportunidade de expansão física. A reforma mais significativa, no entanto, vem acontecendo nos últimos dois anos e já está em sua etapa final. “O processo começou internamente, com uma ampla reestruturação da cozinha e das áreas de apoio, buscando profissionalizar a operação e, sobretudo, oferecer mais conforto e melhores condições de trabalho para a equipe”, conta. A partir daí, a transformação avançou por toda a casa.  “Houve ampliação de espaços, renovação estética, criação de uma estrutura de pizzaria e de um bar de drinks, com uma coparia mais profissional. A decoração também foi sendo trabalhada para traduzir de maneira mais intencional a identidade do Zé Campeiro, trazendo sofisticação sem deixar de lado a simplicidade e a identidade da casa. Não buscamos deixar de ser raiz; buscamos ser raiz com mais intenção, cuidado e identidade”, afirma.

Da cozinha afetiva do almoço à experiência noturna à la carte

Agora, o principal foco de crescimento do restaurante está na operação noturna à la carte, que funciona de terça a domingo, a partir das 17h30. O menu da noite traduz a mineiridade para pratos autorais e opções feitas para compartilhar, acompanhadas por uma carta de vinhos selecionada, além de outras bebidas alcoólicas e não alcoólicas.

Entre as criações mais elogiadas estão o Frango Melado Picante — uma surpreendente combinação entre a doçura do melado e o toque picante —, a Carne de Sereno servida com queijo Canastra, a tradicional Carne de Lata e a Jantinha do Zé, voltada para quem busca uma refeição completa, prática e acessível (a partir de R$ 25) no dia a dia. “A proposta da Jantinha combina uma proteína à escolha do cliente — espeto bovino, peito de frango, tilápia crocante ou parmegiana — com o clássico acompanhamento de arroz, feijão, salada e batata frita. Ela nasceu para resolver uma questão simples: comer bem à noite sem precisar cair sempre no fast-food ou ir para a cozinha após um dia exaustivo”, explica Hugo. A noite reserva ainda o destaque para as pizzas artesanais de longa fermentação, servidas tanto em opções individuais quanto em tamanhos ideais para compartilhar.

Essa ampliação do menu noturno não apenas modernizou a proposta do restaurante, como também transformou a relação com a vizinhança. “A evolução da nossa operação trouxe uma sintonia muito especial entre o público que já frequentava o almoço e as pessoas que passaram a nos descobrir à noite. O formato à la carte abriu portas para um público novo e diverso, mostrando que o Zé Campeiro também é o lugar ideal para relaxar, jantar bem e viver bons momentos no fim do dia”, ressalta Hugo.

Com o amadurecimento do cardápio à la carte, a estruturação do canal de delivery — novidade que em breve estará disponível — e a consolidação da nova identidade, a família Toso projeta um crescimento expressivo e já vislumbra novos horizontes para a empresa. “Esse é um ano de consolidação de tudo o que preparamos até aqui. Concluímos a reforma da casa, fortalecemos a nossa identidade e estruturamos a operação noturna. O próximo passo é fazer o Zé Campeiro ser cada vez mais conhecido em toda Belo Horizonte. E podemos adiantar: os planos para a abertura de uma segunda unidade já estão em pauta”, finaliza Hugo Toso.

SERVIÇO

Restaurante Zé Campeiro

Endereço: Avenida Dr. Cristiano Guimarães, 1911 – Planalto | Belo Horizonte – MG

Horário de Funcionamento:

  • Almoço: todos os dias, a partir das 11h
  • Jantar (à la carte e pizzas): terça a domingo, a partir das 17

Menu, reservas e Informações: https://tr.ee/Kc2dELIWCL

Redes Sociais: @zecampeirobh

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