Em Luzilândia, cidade habitada por vagalumes, as estações do ano pararam de girar, a floresta encolhe dia após dia e, um a um, os pequenos insetos luminosos começam a perder o brilho. É desse mistério que nasce “O Desaparecimento dos Vagalumes e a Máquina do Tempo”, espetáculo da Mocada Artística, com direção e dramaturgia de Leon Ramos, que chega agora a quatro espaços de Belo Horizonte.
A circulação começa no Teatro Raul Belém Machado, no dia 8 de outubro, às 19h30, segue para o Teatro Espanca, no dia 30 de outubro, às 20h30, e em seguida no Centro Cultural Zilah Spósito, no dia 7 de novembro, às 11h. Nos dias 11 e 12 de novembro, o espetáculo chega à Escola Municipal Jardim Leblon, onde também será realizada, no dia 11, a formação “Diálogos da Arte com Educação Ambiental”, voltada aos professores da escola. A atividade propõe pensar o teatro e a cultura popular como experiência pedagógica para tratar temas ambientais e climáticos na educação básica, discutindo, a partir de experiências artísticas, estratégias mais sensíveis e participativas para a sala de aula.
As apresentações são gratuitas, contam com interpretação em Libras e integram o Edital Descentra 2025, viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura da capital mineira.
Um espetáculo com poesia e música
Após o desaparecimento da vagalume Luma, o grupo formado por Piri, a fofoqueira oficial da cidade, Velho Candeeiro, Mário Luz e a excêntrica Luci parte em busca de respostas. A pista mais forte leva à Máquina do Tempo, engenhoca que controlava o clima e que agora falha de um jeito estranho. Nas mãos do inventor Jonas Faísca, ela se transforma em uma Máquina da Verdade, capaz de expor mentiras e segredos da vaidosa Prefeita Mariposuda.
Para contar a fábula, a Mocada mistura teatro popular, música autoral, humor e crítica social, com referências que passam por Georges Didi-Huberman, Clarice Lispector e Adélia Prado.
“Escrever e criar esse espetáculo foi um exercício de fazer um teatro que não subestima a inteligência da criança que está assistindo, mas ao mesmo tempo tem abertura pra “pataquada” – e isso é uma delícia”, relata Leon Ramos, que além de diretor e dramaturgo desse projeto, também está em cena no espetáculo “Pequeno Monstro”, da Homograma, fruto de uma residência artística em Fortaleza, que teve sua estreia em São Paulo no último mês.
Uma fábula operária para pequenos e grandes pirilampos
Em 2025, o grupo decidiu produzir, de forma independente e sem verba, seu primeiro espetáculo voltado ao público infanto-juvenil. Cinco integrantes assumiram o elenco, enquanto Leon Ramos ficou com a direção e a dramaturgia, pela primeira vez.
Por trás do palco, a direção de arte é assinada por Leon Ramos em parceria com Cauã Esteves, responsável pelo figurino, caracterização, cenário, maquiagem e pela construção da boneca Luci. A iluminação é de Veec Santos e a produção geral de Ygor Gohan, com produção executiva de Giovanna Miranda.
Sem patrocínio inicial, o espetáculo cresceu apoiado na parceria com o Centro Cultural Liberarino Alves de Oliveira, que cedeu espaço para os ensaios, e estreou na Escola Municipal Virgílio de Melo Franco. De lá, passou pela Mostra Nóis por Nóis do CICALT, no Teatro Francisco Nunes, pela programação Férias nos Teatros do Circuito Municipal de Cultura, no Teatro Raul Belém Machado, pela Virada Cultural de Belo Horizonte de 2026, no Parque Municipal, e pela 11ª Mostra Descontorno Cultural, no Centro Cultural Padre Eustáquio.
Cultura Popular
A música é um elo entre os integrantes da companhia: Giuli Paz mantém carreira musical em paralelo e lançou em 2024 o EP “Queda Livre”; Gustavo Faraco atuou em “Karaokétipos”, de Tatá Santana, espetáculo repleto de musicalidade que passou pela 51ª Campanha de Popularização Teatro e Dança e pela Virada Cultural 2025; e Leon Ramos integrou o musical “A Guitarra Mágica” – adaptação da ópera de Mozart para as infâncias com músicas de rock -, além de diversos espetáculos do gênero em produtoras regionais.
Em cena, o repertório busca na cultura popular — com músicas de Mestre Ambrósio, Mestre Luiz Paixão e Siba, além de composições originais — a matéria-prima para tratar de política, natureza e memória. A direção musical é de Rafa Goulart, com assistência dos demais integrantes, Leon Ramos, Mercedes Stephani e Giuli Paz. Rafa tem passagem por coletivos como Boi Brilho do Horizonte, Mar de Morro, Humaitá Cultura Popular e Grupo Trovão de Minas, praticando maracatu de baque virado, samba de coco e bumba meu boi. Junto com Mercedes, atuou também em “Um Exu Em Nova York”, dirigido por Michele Sá e vencedor do Prêmio Leda Maria Martins 2025.
Arte-educação e meio-ambiente
A oficina “Diálogos da Arte com Educação Ambiental” propõe pensar o teatro e a cultura popular como experiência pedagógica para discutir temas ambientais e climáticos na educação básica, a partir de estratégias sensíveis e participativas para a sala de aula. A proposta reflete a trajetória dos próprios artistas em equipamentos públicos de ensino: Todos passaram pelo Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART); Giuli Paz pelo Palavra Viva, Valores de Minas e Arena da Cultura; Gustavo Faraco e Mercedes Stephani cursam licenciatura em teatro na UFMG; Izabelle Quites atua também como gestora de projetos culturais; e Rafa Goulart, formado em Geografia pela UFMG, leciona na rede estadual de Minas Gerais desde 2019.
“Como professor de Geografia na rede estadual, vejo todos os dias como a linguagem artística consegue abrir portas que a sala de aula tradicional às vezes não abre. Levar esse espetáculo para escolas é colocar em prática algo que defendo no meu trabalho: arte e educação andando juntas”, afirma Rafa Goulart.
Um coletivo nascido no CEFART
A Mocada nasceu em 2019 dentro do CEFART, escola de teatro da Fundação Clóvis Salgado no Palácio das Artes, como a primeira turma da instituição selecionada por ações afirmativas. O grupo — Giuli Paz, Gustavo Faraco, Izabelle Quites, Leon Ramos, Mercedes Stephani e Rafa Goulart — estreou coletivamente ainda na formatura da turma, em 2022, com os espetáculos “Ópera Operária”, dirigido por Rainy Campos e Lucas Fabrício, e “Pássaros na Boca ou As Coisas que Perdemos no Fogo: Um Cabaré Brutal”, dirigido por Raquel Castro e Marcelo Veronez.
O primeiro espetáculo — que uniu funk e circo para refletir sobre o mundo do trabalho — e o segundo — que mergulhou na linguagem do cabaré em conversa com autoras do horror latino-americano — construíram um repertório para a Mocada marcado pelo diálogo com a cultura popular e a literatura contemporânea. O último projeto foi em 2023, quando o coletivo apresentou a cena “The Kids” na 24ª edição do Festival Cenas Curtas do Galpão Cine Horto.
SERVIÇO
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“O Desaparecimento dos Vagalumes e a Máquina do Tempo” Classificação livre Entrada gratuita | Interpretação em Libras 8 de outubro de 2026, quinta-feira Local: Teatro Raul Belém Machado (Rua Leonil Prata, 53 – Alípio de Melo) Horário: 19h30 Entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria, e pelo Sympla. 30 de outubro de 2026, sexta-feira Local: Teatro Espanca (Rua Aarão Reis, 542 – Centro) Horário: 20h30 Entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria. 7 de novembro de 2026, sábado Local: Centro Cultural Zilah Spósito (Rua Carnaúba, 286 – Zilah Spósito) Horário: 11h00. Entrada franca. Mais informações no Instagram @mocadaartistica |




















































































