A influenciadora Thais Carla – que perdeu 115 quilos após uma cirurgia bariátrica e ficou conhecida por sua defesa ao movimento body positive – estará em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (30), às 10h, na abertura do 26o Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica, no ExpoMinas.
Thaís, que possui mais de 4 milhões de seguidores em apenas uma das suas redes sociais, irá esclarecer dúvidas sobre o procedimento com especialistas, participar da gravação de um podcast da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e também vai conversar com a imprensa.
O cenário da cirurgia bariátrica no estado de Minas Gerais e do país, em um cenário de canetas emagrecedoras sendo utilizadas de forma irregular será um dos temas abordados pela influenciadora e também na programação do evento.
Cirurgia Bariátrica e obesidade em Minas Gerais
O estado de Minas Gerais apresentou uma queda de 11,13% no número de cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS entre os anos de 2024 e 2025. Apesar de contar com 16 hospitais habilitados para realização da cirurgia bariátrica, em 2024 foram feitas 1.483 cirurgias, contra 1.318 realizadas em 2025. No entanto, a expectativa para 2026 é aumentar novamente, tendo em vista que os dados do DATASUS apontam 795 procedimentos realizados até junho deste ano. Pelos planos de saúde, Minas é o segundo estado do Brasil em número de cirurgias com 6.138 cirurgias em 2025 e perdendo apenas para São Paulo, que realizou 16.276 cirurgias.
Os níveis de obesidade no Estado preocupam. Os últimos dados do Sisvan, de agosto de 2026, apontam que cerca de 34.14% da população mineira apresenta sobrepeso; 20.82% possuem obesidade grau I; 8,63% possuem obesidade grau II obesidade e 4,74% possuem obesidade grave. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) mantém relatórios que podem ser acessados a partir do registro de medidas das dimensões físicas da pessoa (dados antropométricos) e dos marcadores de consumo no e-SUS e Sistema Bolsa Família, podendo ser acessados pelo site Link.
No entanto, a Secretaria de Estado da Saúde de Minas informou que o tratamento da obesidade é realizado oor meio da Rede de Atenção à Saúde, cuja porta de entrada é a Atenção Primária à Saúde (APS), responsável pela coordenação do cuidado. “A depender dos critérios clínicos e da avaliação da equipe de saúde que acompanha o paciente, ele poderá ser referenciado para outros pontos da rede, conforme a conduta adotada””, informa.
No contexto da assistência à pessoa com obesidade grave, a Atenção Especializada Hospitalar é responsável pela avaliação dos casos indicados pela APS, pela Atenção Especializada Ambulatorial e/ou pela Central de Regulação, com vistas à indicação de procedimento cirúrgico para tratamento da obesidade. “Nos casos em que a cirurgia bariátrica for indicada, o paciente será acompanhado por equipe multiprofissional especializada durante o pré e o pós-operatório. A depender da necessidade clínica, poderá também ser incluída a cirurgia plástica reparadora. O acompanhamento segue até a alta hospitalar””, informou a Secretaria em nota à SBCBM.
Números nacionais
O número mais recente de cirurgias bariátricas divulgados pela SBCBM mostra uma alta de, apesar da chegada de novos medicamentos como a tizerpartida e semaglutida. Em 2024 foram realizadas 75.264 cirurgias e, em 2025 foram 76.348 procedimentos, uma alta de 1,4%. Em relação a 2020, quando foram contabilizados 41.101 procedimentos, o crescimento acumulado foi de 85,8%.
“O que temos percebido foi uma forte desaceleração, se compararmos os anos de 2020 e 2021, quando o crescimento anual chegou a 34,5%. Já entre 2024 e 2025 o crescimento caiu para apenas 1,4%”, avalia o presidente da SBCBM, Juliano Canavarros.
Uma análise importante sobre a realização da cirurgia bariátrica no país está na queda de 2,8% nas cirurgias por planos de saúde (de 64.014 em 2024 para 62.220 em 2025) e no crescimento de 25,4% nas cirurgias bariátricas pelo SUS (de 11.250 em 2024 para 14.128 em 2025) no Brasil.
De acordo com o presidente da SBCBM, este cenário pode ser resultado da combinação de diferentes fatores. Entre eles, a queda no poder aquisitivo da população que deixou de ter plano de saúde, pacientes que decidem adiar a cirurgia para testar primeiro o tratamento medicamentoso como semaglutida e tizerpartida, dificuldades de autorização e cobertura pelas operadoras, custo e dificuldade de acesso a equipes e centros especializados, bem como a necessidade de acompanhamento multidisciplinar e de cumprimento das etapas pré-operatórias para a cirurgia.
O cenário da obesidade no Brasil
A obesidade já é um dos maiores desafios de saúde pública do Brasil. Dados da World Obesity Federation indicam que 68% da população brasileira apresenta excesso de peso — sendo 37% com sobrepeso e 31% vivendo com obesidade. Mais do que uma questão individual, o problema impacta diretamente a sustentabilidade do sistema de saúde.
A obesidade avança em ritmo acelerado no Brasil e já acende um alerta para a saúde pública. Em menos de duas décadas, o número de adultos brasileiros com obesidade cresceu 118%, passando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde.
Além do impacto clínico, os custos são crescentes. Em 2022, o SUS destinou cerca de R$1,5 bilhão ao tratamento de doenças associadas ao excesso de peso. Na saúde suplementar, um único paciente com obesidade pode gerar custos de até R$33 mil por ano. Projeções da revista BMJ Global Health indicam que, mantida a tendência atual, até 88% da população brasileira poderá estar acima do peso até 2060, com impacto econômico superior a R$1,3 trilhão.
Sobre o Congresso em Minas
Promovido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), o evento reunirá mais de 1700 profissionais de saúde, – entre cirurgiões, endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e outros – 218 palestrantes nacionais e internacionais em uma programação formada por 223 aulas, conferências, debates e atividades científicas.
De acordo com a comissão organizadora local da SBCBM, formada pelos cirurgiões Rene Berindoague, Hemerson Paul e Carolina Trancoso, esta será a primeira vez que BH sedia um Congresso deste porte.
Serviço
Coletiva com Thaís Carla:
Horário: das 10 às 11 horas
Local: no XXVI Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica
Data: 30 de setembro
Local: Expominas (Belo Horizonte – MG)



















































































