Richard Strauss produziu uma obra-prima baseada em outra obra-prima da literatura universal ao propor descrever, com música, a história do cavaleiro errante e de seu fiel escudeiro, Don Quixote. Nos dias 11 e 12 de junho, às 20h30, na Sala Minas Gerais, o violoncelista colombiano Santiago Cañón-Valencia dá vida a esse maravilhoso poema sinfônico do compositor alemão. A Filarmônica de Minas Gerais apresenta ainda a abertura da ópera O Franco Atirador, homenageando os 200 anos da morte de Weber, e a efusiva Sinfonia nº 6, de Franz Schubert. A regência é do maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais. Os ingressos estão à venda no site www.filarmonica.art.br e na bilheteria da Sala Minas Gerais, a partir de R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). O concerto do dia 11 de junho será transmitido ao vivo pelo canal da Filarmônica no YouTube, pela Rede Minas e pela Rádio MEC FM (87,1 BH e Brasília/99,3 RJ).
Este projeto é apresentado pelo Ministério da Cultura, pelo Governo de Minas Gerais e pela Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Mantenedor: Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. Apoio: Circuito Liberdade e Programa Amigos da Filarmônica. Realização: Instituto Cultural Filarmônica, Governo de Minas Gerais, Funarte 50 anos, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.
Maestro Fabio Mechetti, Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais
Desde 2008, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo o responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro.
Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve à frente da Orquestra Sinfônica de Jacksonville por quatorze anos (1999 – 2014), tendo recebido o título de Regente Titular Emérito. Foi também Regente Titular das orquestras sinfônicas de Syracuse (1992 – 1999) e de Spokane (1993 – 2004), nesta última atuando como Regente Laureado. Em 2014, tornou-se o primeiro maestro brasileiro a assumir a Regência Titular de uma orquestra asiática, ao aceitar o convite da Orquestra Filarmônica da Malásia, onde permaneceu por dois anos.
Ainda nos Estados Unidos, atuou como Regente Associado de Mstislav Rostropovich, na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, com a qual se apresentou no Kennedy Center e no Capitólio. Foi também Regente Residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Estreou no Carnegie Hall, em Nova York, conduzindo a Sinfônica de Nova Jersey, e tem dirigido diversas orquestras norte-americanas, como as de Seattle, Buffalo, Utah, Rochester, Phoenix, Columbus, entre outras. É presença constante nos festivais de verão dos Estados Unidos, como os de Grant Park, em Chicago, e Chautauqua, em Nova York.
Vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, Mechetti rege regularmente na Escandinávia, com destaque para a Orquestra da Rádio Dinamarquesa e a Orquestra de Helsingborg, na Suécia. Na Finlândia, dirigiu a Filarmônica de Tampere; na Itália, a Orquestra Sinfônica de Roma e a Orquestra do Ateneo, em Milão; na Dinamarca, a Filarmônica de Odense; na Escócia, a BBC Scottish Symphony; além de ter conduzido a Sinfônica Nacional da Colômbia e estreado no Festival Casals com a Sinfônica de Porto Rico. Na Argentina, rege regularmente a Filarmônica do Teatro Colón.
No Brasil, tem sido convidado a reger a Osesp, a Sinfônica Brasileira, as orquestras municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Sinfônica do Paraná, a Petrobras Sinfônica, entre outras. Trabalhou com artistas de renome, como Alicia de Larrocha, Thomas Hampson, Frederica von Stade, Arnaldo Cohen, Nelson Freire, Antonio Meneses, Emanuel Ax, Gil Shaham, Midori, Evelyn Glennie, Kathleen Battle, entre outros.
Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School de Nova York.
Santiago Cañón-Valencia, violoncelo
Artista da Nova Geração da BBC em 2022, é também compositor, pintor e fotógrafo. Fez sua estreia como solista aos seis anos, com a Filarmônica de Bogotá. Ao longo da carreira, apresentou-se junto a grupos como a Orquestra Mariinsky e da Rádio de Frankfurt, as filarmônicas de Bruxelas, Seul e São Petersburgo, e as sinfônicas Nacional da Colômbia, de Phoenix e da SWR. Além dos primeiros prêmios em concursos internacionais como o Carlos Prieto e o de Música de Pequim, foi medalha de prata no 16º Concurso Internacional Tchaikovsky e conquistou o terceiro lugar no Concurso Internacional Rainha Elisabeth, de 2017, dois dos maiores certames do mundo. Já se apresentou no Wigmore Hall e participou de transmissões com a Sinfônica da BBC e a Orquestra do Ulster Hall. Comprometido com a música contemporânea, estreou Stringmaster, de Carlos Izcaray, e Rapsódia aos quatro elementos, de Jorge Pinzón. Entre seus álbuns destacam-se Solo (Atoll, 2013) e Ascenso (Sono Luminus, 2022). Desde 2011, conta com o patrocínio da Fundação Salvi, através da bolsa de estudos Mayra & Edmundo Esquenazi.
Repertório
Carl Maria von Weber (Eutin, Alemanha, 1786 – Londres, Inglaterra, 1826) e a obra O Franco Atirador: Abertura (1817-1821)
A ópera O Franco-Atirador narra os esforços do caçador Max para conquistar Agathe. Para isso, precisa vencer uma prova de tiros. Enganado por Kaspar, que fizera um pacto com o diabo, Max usa, para a prova, balas mágicas, que, sem que soubesse, tinham por objetivo matar Agathe e livrar Kaspar de seu pacto. Uma reviravolta, contudo, faz Kaspar ser atingido e Max e Agathe terminarem juntos. Esse singspiel, gênero alemão que combina partes cantadas e faladas, é um marco histórico. Primeira obra dramática da escola romântica alemã, serviu de modelo para Wagner e Richard Strauss, e se tornou emblema nacional ao dar protagonismo aos camponeses — que, idealizados por Herder por sua ligação com a terra, foram convertidos em representantes máximos da nação alemã. Esteticamente, suas árias são tão ao estilo popular que logo se converteram em “canções folclóricas”. Também sua abertura é pioneira e serviu de modelo para futuras aberturas de ópera. Estreada em Copenhagen, em 8 de outubro de 1820, é a primeira abertura a propor uma “sinopse” da obra, ao reunir temas inteiros da ópera e não apenas fragmentos de temas. O tema lento das trompas, único que não reaparece na ópera, também inaugura outra prática: a da música alemã de associar trompas ao “som da natureza”.
Franz Schubert (Viena, Áustria, 1797 – 1828) e a obra Sinfonia nº 6 em Dó maior, D. 589, “Pequena” (1817-1818)
Franz Schubert nasceu em Lichtental, subúrbio de Viena. Seu pai, mestre-escola, e os irmãos mais velhos o iniciaram no conhecimento da música. Logo o encaminharam ao mestre de coro da paróquia, que se espantou com sua facilidade. Sua voz e seu preparo lhe propiciaram o ingresso, em 1808, no Stadtkonvikt (internato de ensino geral e música) e no coro da capela da Corte Imperial. O internato — onde permaneceu até 1813 — mantinha uma orquestra completa, na qual Schubert se exercitou e travou conhecimento com a música em voga. Ali, escreveu aberturas para orquestra, obras vocais, para piano e para cordas, pavimentando o caminho para a criação de sinfonias: a Sinfonia nº 1 foi composta ainda em 1813 e, já em fevereiro de 1818, concluía sua sexta obra do gênero. O manuscrito da Sexta Sinfonia — depois rebatizada como “Pequena”, em contraposição à grande Sinfonia em Dó maior (1828) — traz a indicação “Grande Sinfonia”, o que se explica por sua dimensão mais ampla que as anteriores. Sua introdução em adagio é uma diferença sensível em relação às sinfonias que compusera até então e revela a influência de Beethoven. Foi escrita para a orquestra particular de Otto Hatwig — violinista em cujo salão foi apresentada muito da música de Schubert.
Richard Strauss (Munique, Alemanha, 1864 – Garmisch-Partenkirchen, Alemanha, 1949) e a obra Don Quixote, op. 35 (1897)
Foi com o poema sinfônico que, mesmo antes de empreender suas realizações tão significativas no campo da ópera, Richard Strauss conquistou renome internacional. Exemplo do gênero é Don Quixote. A obra, estreada em 1898, é baseada no célebre romance de Miguel de Cervantes. A composição se constitui de dez variações sobre um mesmo tema, seguidas de um finale; donde seu subtítulo Variações fantásticas sobre um tema cavalheiresco. Endossando a liberdade criativa e formal que o poema sinfônico pressupõe, Strauss elabora, na obra, uma importante parte solista para o violoncelo, que representa o “Cavaleiro da Triste Figura”. Nas variações, aspectos psicológicos da personagem adquirem musicalmente peso igual ao dos eventos da narrativa evocados. Assim, por exemplo, a primeira variação tanto apresenta Dulcinéia como alvo da mente confusa do fidalgo, quanto alude à famosa batalha com os moinhos de vento. Independentemente das relações com o texto de Cervantes, a obra de Strauss, no entanto, garante a sua estabilidade em si mesma, tão somente pela sua coerência interna e arquitetura formal.
Filarmônica de Minas Gerais
Série Allegro
11 de junho– 20h30
Sala Minas Gerais
Série Vivace
12 de junho – 20h30
Sala Minas Gerais
Fabio Mechetti, regente
Santiago Cañón-Valencia, violoncelo
WEBER O Franco Atirador: Abertura
SCHUBERT Sinfonia nº 6 em Dó maior, D. 589, “Pequena”
R. STRAUSS Don Quixote, op. 35
INGRESSOS:
R$ 50 (Mezanino), R$ 58 (Coro), R$ 58 (Terraço), R$ 84 (Balcão Palco), R$ 105 (Balcão Lateral), R$ 143 (Plateia Central) e R$ 185 (Balcão Principal).
Ingressos para Coro e Terraço serão comercializados somente após a venda dos demais setores.
Meia-entrada para estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, de acordo com a legislação.
Informações: (31) 3219-9000 ou www.filarmonica.art.br
Bilheteria da Sala Minas Gerais
Horário de funcionamento
Dias sem concerto:
3ª a 6ª — 12h a 20h
Sábado — 12h a 18h
Em dias de concerto, o horário da bilheteria é diferente:
— 12h a 22h — quando o concerto é durante a semana
— 12h a 20h — quando o concerto é no sábado
— 09h a 13h — quando o concerto é no domingo
São aceitos:
- Cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa
- Pix
ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 e tornou-se referência no Brasil e no mundo por sua excelência artística e vigorosa programação.
Conduzida pelo seu Diretor Artístico e Regente Titular, Fabio Mechetti, a Orquestra é composta por 90 músicos de todas as partes do Brasil, Europa, Ásia e das Américas.
O grupo recebeu numerosos prêmios e menções, sendo o mais recente o Prêmio Concerto 2024 na categoria CD/DVD/Livros, com o álbum com obras de Lorenzo Fernandez. A Orquestra já havia recebido Prêmio Concerto 2023 na categoria Música Orquestral, por duas apresentações realizadas no Festival de Inverno de Campos do Jordão, SP, o Grande Prêmio da Revista CONCERTO em 2020 e 2015, o Prêmio Carlos Gomes de Melhor Orquestra Brasileira em 2012 e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) em 2010 como o Melhor Grupo de Música Clássica do Ano.
Suas apresentações regulares acontecem na Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, em cinco séries de assinatura em que são interpretadas grandes obras do repertório sinfônico, com convidados de destaque no cenário da música orquestral. Tendo a aproximação com novos ouvintes como um de seus nortes artísticos, a Orquestra também traz à cidade uma sólida programação gratuita – são os Concertos para a Juventude, Filarmônica na Praça, os Concertos de Câmara e os concertos de encerramento do Festival Tinta Fresca e do Laboratório de Regência. Para as crianças e adolescentes, a Filarmônica dedica os Concertos Didáticos, em que mostra os primeiros passos para apreciar a música de concerto.
A Orquestra possui 20 álbuns gravados, entre eles sete integram o projeto Brasil em Concerto, do selo internacional Naxos junto ao Itamaraty. O álbum Almeida Prado – obras para piano e orquestra, com Fabio Mechetti e Sonia Rubinsky, foi indicado ao Grammy Latino 2020.
Ainda em 2020, a Filarmônica inaugurou seu próprio estúdio de TV para a realização de transmissões ao vivo de seus concertos, totalizando hoje mais de 100 concertos transmitidos em seu canal no YouTube, onde se podem encontrar diversos outros conteúdos sobre a orquestra e a música de concerto.
A Filarmônica realiza também diversas apresentações por cidades do interior mineiro e capitais do Brasil, tendo se apresentado também na Argentina e Uruguai. Em celebração ao bicentenário da Independência do Brasil, em 2022, realizou uma turnê a Portugal, apresentando-se nas principais salas de concertos do país nas cidades do Porto, Lisboa e Coimbra, além de um concerto a céu aberto, no Jardim da Torre de Belém, como parte da programação do Festival Lisboa na Rua, promovido pela Prefeitura de Lisboa.
A sede da Filarmônica, a Sala Minas Gerais, foi inaugurada em 2015, sendo uma referência pelo seu projeto arquitetônico e acústico. Considerada uma das principais salas de concertos da América Latina, recebe anualmente um público médio de 100 mil pessoas.
A Filarmônica de Minas Gerais é uma das iniciativas culturais mais bem-sucedidas do país. Juntas, Sala Minas Gerais e Filarmônica vêm transformando a capital mineira em polo da música sinfônica nacional e internacional, com reflexos positivos em outras áreas, como, por exemplo, turismo e relações de comércio internacional.















































































