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Experiência do Instituto Escolas Criativas que alcançou 1 milhão de estudantes chega à Columbia University em NY

Escolas Criativas foram selecionados para apresentação na Paulo Freire Conference na Columbia University que reúne pesquisadores e educadores em Nova York

Como fazer com que experiências transformadoras que acontecem dentro das escolas possam mudar uma rede inteira de ensino? E como construir políticas públicas educacionais sem apagar as características de cada território? São perguntas que orientam os dois trabalhos do Instituto Escolas Criativas (IEC) selecionados para apresentação na Paulo Freire Conference at Columbia University, que acontece nos dias 18 e 19 de setembro, em Nova York. Os relatos de experiência serão apresentados em formato de pôster durante o encontro, que tem como tema “Freire no mundo: das práticas educativas à transformação de sistemas educacionais”. Mais do que participar de uma conferência internacional, o Instituto chega a Columbia levando experiências concretas desenvolvidas em redes públicas brasileiras, construídas ao longo dos últimos anos em parceria com secretarias municipais e estaduais de educação. Os dois trabalhos apresentados pelo IEC partem da Aprendizagem Criativa para discutir uma questão central para a educação pública: como fazer uma transformação que não fique restrita a uma experiência isolada em uma sala de aula, mas consiga alcançar escolas, gestores, secretarias de educação e políticas públicas sem perder a conexão com quem está no território? Ao longo de cinco anos, as iniciativas do Instituto alcançaram mais de 1 milhão de estudantes e 58 mil educadores em diferentes regiões do Brasil. Avaliações realizadas com mais de 11 mil estudantes identificaram níveis significativamente mais elevados de engajamento estudantil em escolas participantes, além de avanços em indicadores de aprendizagem nas redes envolvidas. O próprio relato apresentado na conferência ressalta, entretanto, que os resultados educacionais são influenciados por múltiplos fatores e não podem ser atribuídos exclusivamente à iniciativa.

Do território amazônico para Columbia

Um dos trabalhos apresentados, intitulado “O encontro entre a Aprendizagem Criativa e o currículo freiriano: sujeito, territorialidade e prática”, apresenta a experiência desenvolvida pelo Instituto Escolas Criativas em parceria com a rede municipal de ensino de Bragança, no Pará. O município tem aproximadamente 130 mil habitantes e uma identidade cultural marcada pela Marujada, por tradições indígenas e por comunidades agro-pesqueiras. O programa desenvolvido pelo IEC envolve as 130 escolas municipais de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos, alcançando mais de 16.465 estudantes, além de professores e gestores. Nesse contexto, a Aprendizagem Criativa passou a dialogar com um currículo municipal fundamentado em princípios da pedagogia freiriana, especialmente na valorização dos sujeitos, dos contextos, das territorialidades e das práticas culturais. A experiência mostra como princípios como diálogo, autoria, protagonismo estudantil, colaboração e valorização dos saberes locais podem deixar de ser conceitos abstratos e se transformar em práticas concretas de aprendizagem. Um dos exemplos apresentados no trabalho é o Projeto Beiju, desenvolvido a partir da preocupação com a baixa frequência de estudantes envolvidos na produção familiar de beiju. A partir do tema gerador “Amazônia Bragantina”, a escola construiu um projeto interdisciplinar que levou parte das experiências de aprendizagem para os espaços comunitários de produção, aproximando escola, território e comunidade e reconhecendo os saberes locais como parte legítima do conhecimento escolar. A experiência também aponta para um desafio maior: como fazer com que mudanças pedagógicas sobrevivam às trocas de gestão, à rotatividade de profissionais e aos diferentes ciclos políticos que atravessam as redes públicas de ensino.

Da sala de aula à política pública

O segundo relato apresentado pelo IEC amplia essa discussão. Com o título “Da Aprendizagem Criativa à Política Pública: fortalecendo redes públicas de ensino para uma educação dialógica e transformadora”, o trabalho investiga justamente como práticas pedagógicas podem deixar de depender de iniciativas individuais e passar a integrar as estruturas permanentes dos sistemas educacionais. O Instituto atua desde 2021 em parceria com redes públicas brasileiras para apoiar a incorporação da Aprendizagem Criativa em currículos, formação docente, estratégias de gestão e políticas educacionais. A estratégia não parte da transferência de um modelo pronto. O trabalho é organizado em ciclos de escuta, planejamento, implementação, monitoramento e aprendizagem, considerando as características, prioridades e capacidades de cada rede. Essa é uma das principais conexões estabelecidas pelo relato com o pensamento de Paulo Freire: a transformação não deve ser “implementada sobre” professores, gestores e estudantes, mas construída com eles. Na prática, isso significa trabalhar não apenas com professores, mas também com gestores escolares e equipes técnicas das secretarias de educação, criando condições para que as próprias redes desenvolvam capacidade de tomar decisões, adaptar estratégias e construir soluções relacionadas aos seus contextos. Segundo o relato, diferentes municípios passaram a incorporar princípios da abordagem em seus currículos, projetos político-pedagógicos e programas institucionais de formação. O objetivo, portanto, não é simplesmente replicar uma metodologia, mas fortalecer a autonomia das redes para construir suas próprias respostas educacionais.

Uma experiência brasileira em um debate internacional

A presença do Instituto na conferência ganha relevância justamente por levar para uma universidade internacional uma discussão que nasce dentro da escola pública brasileira. Em vez de apresentar uma solução única para os desafios educacionais, os dois trabalhos colocam em debate diferentes escalas de transformação: de um lado, uma experiência profundamente vinculada ao território amazônico; de outro, uma estratégia voltada à transformação sistêmica de redes públicas. “O mais importante dessa participação é poder mostrar que a transformação da educação pública não acontece por meio da simples transferência de modelos. Ela acontece quando conseguimos construir, junto com as redes, condições para que professores, gestores e estudantes sejam autores das mudanças. É uma experiência brasileira, construída em diferentes territórios, que agora entra em diálogo com uma discussão internacional sobre o legado de Paulo Freire”, afirma Ana Beatriz De Sanctis Bretos, Cofundadora do IEC. A escolha dos trabalhos para apresentação também coloca em evidência uma questão que permanece atual quase três décadas após a morte de Paulo Freire: como transformar princípios como diálogo, participação, autonomia e valorização dos saberes dos sujeitos em estruturas capazes de sustentar políticas públicas? Para o Instituto Escolas Criativas, esse é um dos desafios centrais da educação contemporânea. Não basta criar experiências inovadoras, é preciso criar condições para que elas possam transformar práticas, fortalecer instituições e permanecer nos territórios. É justamente esse percurso – da prática pedagógica à política pública – que o Instituto levará para a Columbia University.

SERVIÇO

Paulo Freire Conference at Columbia University Tema: Freire in the World: From Educational Practices to the Transformation of Educational Systems Data: 18 e 19 de setembro de 2026 Local: Columbia University, Nova York, Estados Unidos Participação do Instituto Escolas Criativas: apresentação de dois relatos de experiência em formato de pôster. Trabalhos apresentados:
  • O encontro entre a Aprendizagem Criativa e o currículo freiriano: sujeito, territorialidade e prática — Elaine Silva Rocha Sobreira, Verônica Gomes dos Santos e Ana Beatriz De Sanctis Bretos.
  • Da Aprendizagem Criativa à Política Pública: fortalecendo redes públicas de ensino para uma educação dialógica e transformadora — Ana Beatriz De Sanctis Bretos, Verônica Gomes dos Santos e Elaine Silva Rocha Sobreira.

Sobre o Instituto Escolas Criativas

O Instituto Escolas Criativas atua em parceria com redes públicas de ensino brasileiras para apoiar a implementação de abordagens pedagógicas que valorizam o protagonismo estudantil, a criatividade, a colaboração e a construção significativa do conhecimento. Seu trabalho envolve formação docente, fortalecimento da gestão educacional, integração curricular e apoio às redes para que mudanças pedagógicas possam se transformar em políticas públicas sustentáveis.

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