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Belo Horizonte debate o poder da música na saúde mental e no combate à ansiedade

Pesquisas internacionais apontam benefícios da musicoterapia para a saúde mental; professor de universidade dinamarquesa participa de encontro científico na UFMG para discutir os avanços da neurociência e as aplicações terapêuticas da música

A música pode fazer muito mais do que despertar lembranças ou proporcionar momentos de prazer.

Pesquisas recentes mostram que intervenções musicoterapêuticas podem contribuir para a saúde mental, especialmente na redução de sintomas de ansiedade, ampliando as possibilidades de cuidado em diferentes fases da vida.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2025 na revista científica eClinicalMedicine reuniu 51 estudos e 93 medidas de efeito, identificando um efeito geral moderado da musicoterapia sobre desfechos relacionados à ansiedade. Os pesquisadores destacam, porém, que os efeitos fisiológicos e os benefícios de longo prazo ainda precisam ser melhor investigados.

Outra revisão, publicada pela Cochrane em 2025, analisou 30 estudos envolvendo 1.720 pessoas com demência e concluiu que intervenções terapêuticas baseadas em música provavelmente contribuem para reduzir sintomas depressivos ao final do tratamento.

Para o Dr. Gustavo Gattino, musicoterapeuta, doutor em Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professor associado da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, os avanços científicos ajudam a ampliar a compreensão sobre as relações entre música, cérebro, emoções e comportamento.

“A música mobiliza diferentes sistemas cerebrais relacionados às emoções, à memória, à atenção e à recompensa. Na musicoterapia, utilizamos essas possibilidades de maneira planejada, com objetivos terapêuticos específicos. Não se trata simplesmente de colocar uma música para alguém ouvir, mas de compreender como diferentes experiências musicais podem contribuir para determinadas necessidades de saúde”, explica Gattino.

Da infância ao envelhecimento, a musicoterapia pode integrar intervenções voltadas à comunicação e interação social no autismo, à atenção e autorregulação no TDAH, ao cuidado em saúde mental e ao bem-estar de pessoas com demências, como a doença de Alzheimer.

As aplicações e a força das evidências variam conforme a condição e os objetivos terapêuticos.

Belo Horizonte recebe encontro nacional de pesquisadores

Entre os dias 8 e 10 de outubro, a Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, recebe o XXVI Encontro Nacional de Pesquisa em Musicoterapia (ENPEMT), reunindo pesquisadores para discutir avanços científicos, tecnologias, acessibilidade e novas possibilidades de intervenção.

Gattino apresentará, no sábado (10), às 14h, o trabalho “Perspectivas Epistemológicas para a Musicoterapia a partir das Novas Fronteiras da Neurociência”, abordando reflexões sobre os caminhos científicos da área.

“A neurociência vem ampliando nossa compreensão sobre como o cérebro responde às experiências musicais. O desafio é transformar esse conhecimento em intervenções cada vez mais fundamentadas em evidências, respeitando as particularidades de cada pessoa e os limites do que a ciência já conseguiu demonstrar”, destaca o pesquisador.

O Dr. Gustavo Gattino estará em Belo Horizonte entre os dias 8 e 10 de outubro e estará disponível para entrevistas presenciais durante sua passagem pela cidade.

Sobre o especialista

Dr. Gustavo Gattino é musicoterapeuta, doutor em Saúde da Criança e do Adolescente pela UFRGS e professor associado da Universidade de Aalborg, na Dinamarca, onde atua há cerca de dez anos. Com mais de 20 anos de experiência acadêmica e científica, pesquisa as relações entre música, saúde mental, desenvolvimento humano, neurodivergência, emoções e comportamento. É autor de 10 livros e dezenas de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior, além de integrar o Conselho Mundial da World Federation of Music Therapy (WFMT).

Referências científicas

Revisão sistemática e meta-análise sobre musicoterapia e ansiedade (2025) — eClinicalMedicine
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40547443/

Revisão Cochrane sobre intervenções terapêuticas baseadas em música para pessoas com demência (2025)
https://www.cochrane.org/evidence/CD003477_does-music-based-therapy-help-people-dementia

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