Uma jovem mineira acaba de se tornar a primeira brasileira a integrar a Tonkünstler-Orchester Niederösterreich, conceituada orquestra sinfônica em Viena, uma das mais respeitáveis da Europa. Nascida em Belo Horizonte, Marina Caputo, de 24 anos, foi finalmente oficializada integrante da orquestra, após um ano como academista, vencendo a audição para integrar o naipe de primeiros violinos da instituição, cuja fundação tem origens no período clássico da musica ocidental, ou seja, na segunda parte do século XVIII.
A trajetória de Marina dentro da Tonkünstler foi construída em etapas. Depois de integrar a academia da orquestra na temporada 2024/25, ela venceu, em 2025, a audição para os primeiros violinos e, no ano seguinte, foi efetivada como integrante fixa. “Ser oficializada na orquestra é uma alegria enorme e a realização de algo que, por muito tempo, me pareceu distante demais para uma brasileira. Espero que essa conquista mostre a outros jovens músicos do Brasil que é possível ocupar espaços que antes pareciam inalcançáveis e construir caminhos que ainda não existiam para nós”, afirma a jovem musicista.
Marina já está participando da temporada 2026/2027 da Tonkünstler-Orchester Niederösterreich – que começa agora em setembro e termina em junho de 2027 – sob a regência do maestro principal Fabien Gabel, com foco em Beethoven, Fin de Siècle e Mythen/Sagen (Mitos e Lendas). A abertura da temporada se deu em setembro na Áustria com a série “Symphonische Märchen” (Contos Sinfónicos), interpretando obras de Claude Debussy, Maurice Ravel e Gustav Mahler, em concertos que passaram pelas cidades de Grafenegg, Viena e St. Pölten. Com a compositora italiana Francesca Verunelli – uma das vozes mais singulares da composição contemporânea – Marina Caputo irá se apresentar no dia 19 de novembro dentro da programação do Wien Modern, que acontece em Viena de 30 de outubro a 30 de novembro, maior festival de música contemporânea da Áustria e um dos maiores do gênero no mundo.
Marina Caputo, de Minas para a Europa
Nascida em 2002, Marina iniciou seus estudos de violino aos 10 anos no Centro Suzuki, ingressando em sua primeira orquestra sinfônica aos 12 anos e, aos 14, passando a integrar a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, Vencedora de primeiros prêmios em importantes concursos nacionais – entre eles o Concurso da Casa de Música de Porto Alegre, o Concurso de Violino Paulo Bosísio e o Concurso Ernani de Almeida Machado – estreou como solista aos 13 anos e, desde então, apresentou-se em diferentes palcos no Brasil e no exterior. Entre os destaques estão apresentações como solista na Sala São Paulo, no Festival de Inverno de Campos do Jordão, no Musikverein de Viena e durante turnê na China.
Em 2019, recebeu uma bolsa de estudos para estudar na École Normale de Musique de Paris, sob orientação de Annick Roussin. Dois anos depois, concluiu sua formação com diploma por unanimidade e felicitações do júri, tanto em violino quanto em música de câmara. Radicada em Viena, concluiu seu bacharelado em violino na MUK – Music and Arts University of the City of Vienna, onde estudou com Henja Semmler e Livia Sellin. Atualmente, dá continuidade à sua formação na mesma instituição, cursando o mestrado em violino sob orientação de Livia Sellin
Tonkünstler-Orchester Niederösterreich e suas origens
A Tonkünstler-Orchester Niederösterreich é uma das principais orquestras da Áustria, com residências no Musikverein de Viena, no Festspielhaus St. Pölten e em Grafenegg, além de apresentações regulares em outras cidades da Baixa Áustria. No Musikverein, a orquestra mantém há mais de 75 anos uma tradicional série de concertos. Ao longo de sua história recente, teve como maestros titulares nomes Fabio Luisi, Andrés Orozco-Estrada e Yutaka Sado. Desde a temporada 2025/26, a direção musical está a cargo do maestro francês Fabien Gabel. Entre 1988 e 1994, o maestro brasileiro Isaac Karabtchevsky assumiu a direção musical da orquestra sendo regente titular da Tonkünstler-Orchester Niederösterreich.
O nome da orquestra tem origem na “Tonkünstler-Sozietät” de Viena, que já organizava apresentações na época de Haydn e Mozart. O nome “Tonkünstler” sobreviveu na “Associação Orquestral Tonkünstler de Viena” que foi fundada no início do século XX. Seu primeiro concerto foi apresentado no dia 10 de outubro de 1907, no Musikverein, com um repertório composto por obras de Karl Goldmark, Edvard Grieg, Franz Liszt e Ludwig van Beethoven.
Em 1913, a orquestra apresentou a première de “Gurrelieder”, de Arnold Schönberg. Durante a Primeira Guerra Mundial, devido a complicações financeiras, a Tonkünstler foi forçada a fundir-se com a até então chamada “Vienna Concertverein”, formando o que hoje é a chamada Orquestra Sinfônica de Viena. Entretanto, a associação continuou organizando concertos até 1933.
Durante sua história, a Tonkünstler-Orchester recebeu importantes regentes convidados da cena internacional, entre eles Kent Nagano, Jakub Hrůša, Simone Young, Ivor Bolton, Tomáš Netopil e Jun Märkl. A orquestra também mantém colaborações com solistas de renome mundial, como Renée Fleming, Lang Lang, Lisa Batiashvili, Julia Fischer, Christian Tetzlaff, Augustin Hadelich e Sol Gabetta.
Convém ressaltar que a Tonkünstler foi a primeira orquestra austríaca com uma divisão voltada especialmente para um programa de educação musical.




















































































