Home / Gastronomia / Jantar dos 7 em Ouro Preto transforma a Independência em menu de sete tempos, com sete chefs

Jantar dos 7 em Ouro Preto transforma a Independência em menu de sete tempos, com sete chefs

O que começa com broa de fubá, pão de queijo, sardinha em escabeche, torresmo e azeites portugueses termina com fios de ovos e doce de leite artesanal. Entre esses dois extremos, o Jantar dos 7 percorre sete tempos gastronômicos construídos por sete chefs e inspirados em episódios da formação histórica do Brasil. A 5ª edição do evento será realizada em 7 de setembro de 2026, no Palácio d’Ouro, em Ouro Preto, promovido pela Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais e com curadoria de David Luiz Valdez de Faria.

Com o tema “À Mesa da Independência”, a proposta transforma a história luso-mineira em uma sequência de pratos. Cada tempo parte de um período, personagem ou símbolo e o traduz por meio de ingredientes, técnicas e referências culinárias. O resultado é um menu que aproxima a tradição portuguesa dos produtos e sabores desenvolvidos nas Gerais, sem buscar reproduzir literalmente receitas históricas.

O primeiro serviço, Ato I – O Ouro das Gerais, é assinado pelo próprio David Faria e funciona como uma mesa de recepção. Broas de fubá, pães de queijo, queijos artesanais mineiros e azeites portugueses dividem espaço com sardinhas em escabeche, torresmo, linguiça, milho cozido e tostado e azeitonas. A composição remete à alimentação que sustentou as primeiras comunidades das regiões mineradoras e ao encontro entre produtos das Gerais e hábitos trazidos de Portugal. O serviço será acompanhado pelo Espumante Castellamare Brut, da Vinícola São João, do Rio Grande do Sul.

No Ato II – Os Caminhos do Ouro, a chef Cledir de Fátima parte da alimentação dos tropeiros e viajantes que percorriam as antigas rotas de Minas. A terrine morna de porco curado, envolvida em bacon e acompanhada de farofa de castanhas brasileiras, recupera a presença das carnes conservadas e das farinhas na alimentação dos caminhos coloniais. A harmonização será feita com Santa Vitória Seleção Rosé 2023, Vinho Regional Alentejano, de Portugal.

A liberdade aparece como ideia no Ato III – A Mesa dos Barões, criado pelo chef Tiago Borges. O Robalo da Liberdade é apresentado em formato triangular, referência ao símbolo associado aos inconfidentes, sobre purê de mandioquinha, com emulsão cítrica e azeite verde de ervas. O prato representa as Minas do final do século XVIII, quando os ideais de liberdade começavam a ganhar força em meio à sociedade colonial. Para acompanhar, será servido Primeira Estrada Sauvignon Blanc 2024, da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais.

No quarto tempo, o chef Marlon Sérgio de Sá aproxima diretamente as cozinhas do Reino e das Gerais. No Ato IV – Entre o Reino e a Colônia, o bacalhau confitado em azeite português é servido sobre migas de broa entremeadas por finíssimos fios de couve, finalizadas com pequenos fragmentos de alho dourado. O peixe e o azeite preservam a referência portuguesa, enquanto a broa, a couve e outros elementos remetem à cozinha desenvolvida em Minas. O dourado do alho ainda estabelece uma referência visual ao ouro que saiu das Gerais em direção a Portugal. A harmonização será com Valpaços Tinto Trás-os-Montes DOC 2022, da Casa José Pedro.

Chef e proprietário do The Eat Restô, bistrô de culinária contemporânea, Marlon Sérgio de Sá é graduado em Administração e acumula mais de 20 anos de atuação no setor de restaurantes em Belo Horizonte. Durante mais de uma década, trabalhou em restaurantes e lanchonetes dos aeroportos de Pampulha e Confins. É membro da Federação Italiana de Cozinheiros (FIC), participou de festivais gastronômicos em Minas Gerais e possui formação em enologia pela ABS-SP, além de treinamentos de degustação e análise de vinhos com sommeliers mineiros.

A influência europeia sobre a mesa brasileira ganha outro contorno no Ato V – A Corte nos Trópicos, de Giovana Beliene. A cuisse de volaille farcie aux champignons, uma coxa de ave desossada e recheada com cogumelos, utiliza uma linguagem culinária de influência francesa para representar os hábitos da Corte portuguesa após sua chegada ao Brasil, em 1808. A ave também remete à conhecida preferência de D. João VI por esse tipo de carne. O prato será harmonizado com Santa Vitória Seleção Tinto 2024, Vinho Regional Alentejano.

A ruptura histórica que conduz à Independência chega à mesa no Ato VI – A Independência, do chef Euler Edjar Silva. A paleta de cordeiro em cocção lenta é servida com canjiquinha cremosa e jus de vinho tinto e jabuticaba. Como último prato salgado, a preparação combina a intensidade do cordeiro com ingredientes associados à identidade mineira, especialmente o milho e a jabuticaba. Em vez de reproduzir uma receita de 1822, o prato interpreta a Independência a partir do encontro entre técnicas europeias e produtos das Gerais. A harmonização será com Casa Rosada Syrah 2024, do Campo das Vertentes, em Minas Gerais.

O percurso termina com a chef Fernanda Aguilar, no Ato VII – O Legado. A sobremesa propõe uma leitura contemporânea da doçaria luso-mineira, unindo fios de ovos e doce de leite artesanal. O encerramento será acompanhado por Porto Tawny Valriz, do Douro, reforçando a conexão portuguesa presente desde os primeiros serviços.

Para Miguel Jerónimo, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais, a força do jantar está justamente na capacidade de transformar uma relação histórica em uma experiência gastronômica concreta. “A mesa permite perceber como ingredientes, técnicas e costumes viajaram entre Portugal e Minas e foram sendo transformados ao longo do tempo. O Jantar dos 7 celebra a Independência, mas também mostra como essa história permanece presente na nossa cultura e, de maneira muito especial, na nossa gastronomia”, afirma.

A harmonização dos sete tempos será conduzida por Tarcísio Costa, assessor de comunicação da Presidência da Câmara e formado em enologia pela WSET, The Wine & Spirits Education Trust. A seleção alterna rótulos brasileiros e portugueses, acompanhando a evolução do menu desde o espumante de recepção até o vinho do Porto da sobremesa.

Além do percurso gastronômico, a programação inclui a entrega da Comenda da Liberdade, também chamada Estrela da Independência, e da Comenda da Ordem dos Cavaleiros da Liberdade, distinções destinadas a homenagear personalidades que contribuem para o fortalecimento das relações comerciais, culturais e sociais entre Minas Gerais e Portugal. Antes do jantar, haverá ainda um leilão silencioso, com recursos destinados à Sociedade São Vicente de Paulo.

A programação começa às 17h45, com espumante de boas-vindas na esplanada do Palácio d’Ouro, e o jantar está previsto para 19h. Os ingressos custam R$ 700 por pessoa e as reservas podem ser feitas via Pix, pelo CNPJ 01.125.437/001-14. Após o pagamento, é necessário ligar para (31) 99100-0001 para informar o nome e enviar o comprovante.

SERVIÇO:

Jantar dos 7 – À Mesa da Independência

Local: Palácio d’Ouro

Endereço: Rua Conselheiro Quintiliano, 627, Ouro Preto – MG

Data: 7 de setembro de 2026

Horário: recepção às 17h45; jantar às 19h

Realização: Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais

Ingressos: R$ 700 por pessoa

Reservas: Via Pix (CNPJ 01.125.437/001-14); após o pagamento, é necessário ligar para (31) 99100-0001 para informar o nome e enviar o comprovante

Mais informações: @camaraportuguesamg

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Icons