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Tradicional Bloco Leão da Lagoinha desfila na segunda-feira de carnaval, dia 16 de fevereiro, às 15h

Leão da Lagoinha, bloco mais antigo de BH, com 78 anos, se concentra na Rua Itapecerica desde 1947 e neste ano homenageia São Cosme e Damião

Tradição é tradição. O Leão da Lagoinha não pode ignorar o que é sagrado. Por isso vai sair esse ano, no dia e hora combinados há 79 anos.  Como faz tradicionalmente, o Bloco se concentra na Rua Itapecerica, com Rua Machado de Assis, no Bairro Lagoinha, na segunda-feira de carnaval, às 15h, onde vai rolar muito samba, descontração e alegria. Em seguida, às 18h30, o Bloco fará a abertura oficial dos desfiles dos blocos caricatos e escolas de samba de Belo Horizonte.

Neste ano, o Bloco de Carnaval Leão da Lagoinha, mais antigo da capital mineira, que foi fundado no ano de 1947, levará Iemanjá para a Avenida e fará uma grande homenagem a essa divindade que celebra a fé, a generosidade e o sincretismo religioso.  E para além de séculos de lendas, histórias e tradições, Iemanjá já foi reverenciada diversas vezes no carnaval de diversas cidades brasileiras.

De acordo com o presidente do Bloco, Jairo Nascimento, Iemanjá tem origem no idioma africano yorubá. É ela quem cuida da cabeça e do coração dos que a cultuam. Conhecida por sua generosidade e força, a divindade, que é considerada dona das águas e mãe de todos os orixás, tem uma história tão profunda quanto as águas que domina. Com origem às margens do rio Yemonja, na Nigéria, a divindade recebeu o título de deusa dos mares quando chegou em terras brasileiras junto com os negros escravizados.

“No Brasil, Iemanjá foi sincretizada ao mesmo tempo com a figura da sereia e santas católicas (como Nossa Senhora dos Navegantes), representando a força da ancestralidade, a união e a capacidade de nutrir a vida, trazendo prosperidade e cuidando da “cabeça” (saúde mental)”, explica.

Jairo Nascimento, conta ainda que a ligação de Iemanjá com o Carnaval é profunda e se manifesta em enredos de escolas de samba, promessas de carnavalescos, alegorias grandiosas e a celebração do sagrado e do profano, com a orixá representando as águas, a maternidade e a resistência, especialmente através de homenagens sincréticas e a força das tradições afro-brasileiras que se unem à festa popular

O Bloco Leão da Lagoinha tem tradição de homenagear os Orixás. Em 2023 realizou homenagem para Zé Pilintra, em 2024 para Ogum e em 2025 para Cosme e Damião. “Escolhemos esse tema porque o território da Lagoinha, tem uma grandiosidade de casas, tendas e terreiro de matriz africana e povo preto”, finaliza.

Rainhas – Pela primeira vez, o bloco, que também é símbolo de resistência e ancestralidade, terá uma rainhas Plus e outra Trans. A escolha destes perfis mostra a vanguarda do Bloco mais antigo da capital mineira, promove representatividade, inclusão, quebra barreiras e inspira outros blocos a dar espaço para a diversidade no Carnaval e na sociedade.

Para o presidente do Bloco, esse é um passo crucial para combater a transfobia, celebrar a identidade, além de transformar o Carnaval em um palco de resistência e empoderamento. “Ter rainhas com perfis diferentes da maioria dos outros blocos serve como exemplo.  Queremos que elas provem que podem conquistar posições de destaque e realizar seus sonhos no Carnaval, a presença delas garante que essa grande festa é para todos”; afirma

A Rainha Plus size é Ismênia Santusa, de 48 anos. “Estou me sentindo muito honrada por ser rainha plus size do Leão da Lagoinha. Ao me convidar, o Bloco fez história mais uma vez”, diz. Ismênia Santusa é a primeira musa plus size destaque da capital mineira e do Estado. Ganhou o prêmio TV Vitrine em 2024 e 2025.  Representou o Estado mineiro no concurso Miss Plus Size nacional realizado no Rio de Janeiro e ficou em primeiro lugar na categoria Master.

Moradora de periferia e de comunidade, Ismênia Santusa ama o carnaval desde criança e atualmente é a primeira destaque da Escola de Samba Acadêmica de Venda Nova. Tem como objetivo mostrar que as mulheres que têm o mesmo biótipo dela, ou seja, que estão acima do peso considerado padrão imposto pela sociedade; possam brincar no carnaval, por que ele é de todos. “O carnaval não tem idade, não tem peso, não tem medidas. E é por isso que eu estou aí nessa luta, ocupando lugares e espaços que a sociedade insistiu que nós não deveríamos estar”; completa.

A Rainha Trans é Michelle Xavier, uma mulher preta e trans de 41 anos, que também é musaT do carnaval do bloco MovaT, primeiro bloco onde participantes são homens e mulheres trans. Desfilou em três escolas de samba onde foi passista. Para ela o carnaval é um ato político, onde todas as pessoas têm que ser incluídas e respeitadas.  “Ser primeira rainha da bateria trans do bloco Leão da Lagoinha é um grande orgulho para mim, abro caminhos para outras meninas trans. Entrarei na avenida com muita alegria representando todos que são excluídos”, explica Michelle Xavier.

Conheça o Bloco – Fundado no ano de 1947, o bloco Leão da Lagoinha era a atração do carnaval de Belo Horizonte e sobreviveu até o fim da década de 70. Concentrava-se na Lagoinha e descia a Rua Itapecerica, rumo a Avenida Afonso Pena, onde com muita alegria, irreverência e criatividade, abriam o carnaval de Belo Horizonte. Sem distinção de raça, religião ou opção sexual, o Leão da Lagoinha recebia foliões de vários bairros, onde homens se vestiam de mulher e mulheres se vestiam de homem.

Famílias inteiras lotavam as arquibancadas e toda a extensão da Avenida Afonso Pena para assistirem ao desfile do Leão da Lagoinha. Um bloco teatral que ao longo de seus desfiles faziam os telespectadores vibrarem e sorrirem, quando levava para a avenida mitos e lendas marcantes como; a loira do Bonfim, Hilda Furacão, Cintura Fina, Xuxa dentre outras.

Com a dissidência do Leão da Lagoinha no ano de 1977, surgiu a tradicional Banda Mole. Com o encerramento dos desfiles do Leão da Lagoinha, o carnaval de Belo Horizonte entristeceu, deste bloco restaram somente lembranças e pesquisando antigos arquivos, pouco foi encontrado sobre a história tão linda e marcante daqueles que algum dia participou da alegria de, desfilar ou assistir aos desfiles de Leão da Lagoinha.

Após 32 anos sem desfilar, o Leão da Lagoinha retornou ao carnaval em 2017, com um projeto de resgate da memória histórica, Arquitetônica, da Boêmia e Cultural da Lagoinha e região, recentemente tombada como Patrimônio Municipal da cidade.

SERVIÇO

O que é: Desfile do Bloco Leão da Lagoinha,

Quando: dia 16 de fevereiro, Segunda-feira de carnaval, às 15h,

Onde: Rua Itapecerica, com Rua Machado de Assis, no Bairro Lagoinha,

Entrada gratuita

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