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“O Silêncio de Eva”, de Elza Cataldo, estreia em Belo Horizonte

Estrelado por Inês Peixoto e Bárbara Luz, documentário estreia dia 26 de março no Una Cine Belas Artes e resgata trajetória de Eva Nil. Diretora traz linguagem poética e reconstrução dramática da vida dessa atriz esquecida do cinema mudo brasileiro

O documentário “O Silêncio de Eva”, dirigido por Elza Cataldo e protagonizado pelas atrizes Inês Peixoto e Bárbara Luz, será lançado no dia 26 de março, no Una Cine Belas Artes, em Belo Horizonte. A obra apresenta ao público uma narrativa sensível e poética sobre a vida de Eva Nil, uma das figuras mais enigmáticas do cinema mudo brasileiro, propondo uma reflexão sobre memória, apagamento e reconstrução histórica.

Com direção e produção de Elza Cataldo, o filme se constrói a partir de uma investigação que mescla pesquisa histórica e encenação, criando uma linguagem híbrida que ultrapassa os limites do documentário tradicional. A diretora, com trajetória consolidada no audiovisual e reconhecimento em festivais nacionais e internacionais, aposta em uma abordagem estética que valoriza os silêncios, os vestígios e as lacunas deixadas pelo tempo, transformando ausência em narrativa.

Inês Peixoto é quem conduz a história, percorrendo os caminhos de Eva Nil em uma espécie de busca íntima e artística. Ao revisitar registros escassos e reconstruir episódios da trajetória da atriz, Inês estabelece um diálogo entre passado e presente, refletindo sobre o lugar das mulheres na história do cinema. A atriz contracena com sua filha, Bárbara Luz, responsável por dar vida a Eva Nil nas sequências encenadas.

O filme incorpora materiais de arquivo, como fotografias, fragmentos do cinema mudo e imagens históricas de Cataguases, combinados a registros contemporâneos, depoimentos e entrevistas com especialistas. A narrativa se desenvolve a partir de um diálogo entre diferentes tempos e linguagens, incluindo a reconstituição de cenas inspiradas em obras perdidas de Eva Nil e a recriação de processos do cinema da década de 1920. Ao mesmo tempo, o documentário propõe uma reflexão sobre o fazer artístico, evidenciando as relações entre vida pessoal, criação e memória, além de destacar o papel da família e das trocas geracionais na construção das trajetórias no campo das artes.

O Silêncio de Eva” tem também um caráter poético, ao propor a recriação de cenas perdidas do cinema mudo. Ao assumir que a história de Eva Nil é feita de fragmentos, o filme utiliza a imaginação como ferramenta narrativa, preenchendo vazios e sugerindo novas possibilidades de leitura sobre o passado. Mais do que reconstruir uma biografia, a obra propõe uma experiência sensorial e reflexiva sobre o que permanece e o que se perde na memória cultural.

Além de Inês Peixoto e Bárbara Luz, o elenco conta com Eduardo Moreira, João Perdigão, Luís Parras, João Vitório e José Vilaça, que participam das encenações e contribuem para dar corpo às diferentes fases da história retratada. O filme tem roteiro assinado por Christiane Tassis, Inês Peixoto e Elza Cataldo; direção de arte de Moacyr Gramacho; direção de fotografia de Fernanda Tanaka e Marcelo Borja; figurino de Sayonara Lopes; e montagem de Armando Mendz.

Sobre Eva Nil

Eva Nil, nome artístico de Eva Comello, nasceu no Cairo em 1908, filha de italianos, e veio ainda criança para o Brasil, estabelecendo-se em Cataguases, importante polo do cinema brasileiro nas primeiras décadas do século XX. Tornou-se um dos principais nomes femininos do chamado ciclo de Cataguases, atuando em filmes como “Valadião, o Cratera” (1925) e “Na Primavera da Vida” (1926), dirigidos por Humberto Mauro, além de outras produções do período. No auge da carreira, no final dos anos 1920, abandonou o cinema de forma abrupta e recusou convites para retornar às telas. Passou então a se dedicar à fotografia, atuando com sensibilidade no registro de momentos familiares e eventos sociais. Sua trajetória, marcada por talento, ruptura e mistério, inspira o filme ao evidenciar não apenas uma história individual, mas também o apagamento de tantas mulheres na história do cinema

Sobre a diretora

Elza Cataldo é diretora, produtora e roteirista, com formação em Cinematografia pela Universidade de Nanterre e doutorado pela Sorbonne, na França. Também atuou como professora e pesquisadora na Universidade Federal de Minas Gerais e construiu uma trajetória reconhecida no audiovisual, com participação em festivais nacionais e internacionais. Entre seus trabalhos, destacam-se o longa-metragem “As Órfãs da Rainha”, premiado em festivais como o de Toronto e Los Angeles, além de “Vinho de Rosas”, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Diretora Estreante no Festival Internacional de Batumi. Dirigiu ainda o curta “O Crime da Atriz”, premiado na Mostra Internacional de São Paulo, e os documentários “A Santa Visitação”, “O Levante de Bela Cruz” e “Marianas”, este último disponível em plataforma de streaming. Também atuou como coprodutora de longas como “A Luneta do Tempo”, de Alceu Valença, e “Meu Pé de Laranja Lima”, de Marcos Bernstein. Em “O Silêncio de Eva”, a cineasta reafirma seu interesse por narrativas que articulam memória, história e linguagem poética e reforça o seu interesse em trazer histórias de mulheres que reforçam a força das personagens femininas ao longo da história.

Sobre o elenco

Inês Peixoto é atriz, diretora e dramaturga, com trajetória consolidada no teatro, cinema e televisão. Integrante do Grupo Galpão desde 1992, participou de diversos espetáculos marcantes da companhia e construiu também uma carreira como diretora e realizadora audiovisual, assinando projetos como o média-metragem “Para Tchékhov” e o curta “Método”, premiado em 2020. Ao longo de sua carreira, recebeu cerca de 20 prêmios por sua atuação e, em 2022, foi reconhecida com o APCA de Melhor Atriz pelo monólogo “Órfãs de Dinheiro”.

Bárbara Luz é atriz mineira que iniciou sua trajetória ainda na infância, destacando-se no cinema nacional contemporâneo. Ganhou projeção ao protagonizar o filme “Unicórnio” (2017), que lhe rendeu indicação ao Prêmio Guarani como revelação feminina. Desde então, participou de produções como “Cinco da Tarde” (2022), “TPM! Meu Amor” (2023) e “Ainda Estou Aqui” (2024), trabalho que lhe garantiu indicação ao Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz Coadjuvante.

Eduardo Moreira é ator, diretor e dramaturgo, fundador do Grupo Galpão e um dos principais nomes do teatro brasileiro. Com participação em todos os espetáculos da companhia, também desenvolveu carreira no cinema, atuando em filmes como “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, “Batismo de Sangue” e “Mutum”. Na televisão, integrou novelas, minisséries e produções especiais, além de atuar como diretor e realizador em diferentes projetos.

Serviço

Lançamento do documentário “O Silêncio de Eva”
Quando: 26 de março, quinta-feira

Local: Una Cine Belas Artes – R. Gonçalves Dias, 1581 – Lourdes, Belo Horizonte
Classificação: livre

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