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Grupo Os Geraldos, de São Paulo, faz estreia nacional do espetáculo “Saudade” no CCBB BH

Com direção de Douglas Novais, a peça é inspirada no conto Pinguinho, de Viriato Correia, e nos escritos de Rubem Alves. Com trilha executada ao vivo por um elenco de 13 atores, a montagem faz temporada no Teatro I do CCBB BH, de 9 de janeiro a 2 de fevereiro.

O Centro Cultural do Banco do Brasil de Belo Horizonte (CCBB BH) recebe, a partir de 9 de janeiro, a temporada de estreia do novo espetáculo do grupo Os Geraldos, “Saudade”, com concepção e direção de Douglas Novais e dramaturgia de Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro. Inspirada no conto Pinguinho, de Viriato Correia, e nos escritos de Rubem Alves, a montagem articula os temas infância, morte e perda, ancorados em canções do imaginário coletivo, cantadas ao vivo por 13 intérpretes que estruturam a cena e conduzem a narrativa. No vilarejo que ganha forma no palco, a saudade se manifesta como presença ativa — cantada, dita e corporificada — sustentando o encontro entre os atores e o público.

 

“Saudade” cumpre temporada no Teatro I do CCBB BH até 2 de fevereiro, com sessões de sexta a segunda, sempre às 20h. Os ingressos custam R$30 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada) e estarão disponíveis para venda no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH a partir do dia 2 de janeiro. Informações: (31) 3431 9400 | ccbb.com.br/bh | Instagram.com/ccbbbh | Facebook.com/ccbbbh. A classificação indicativa é de 16 anos.

 

A temporada do espetáculo no CCBB BH também será acompanhada do bate-papo com o público “Olhar em Cena”, que acontece sempre às sextas-feiras, após as sessões, além da realização de duas oficinas gratuitas que compartilham aspectos fundamentais da linguagem do grupo Os Geraldos: “Voz em Ação”, no dia 17 de janeiro, sábado, das 11h às 13h; e “Corpo-coro”, no dia 18, domingo, das 11h às 13h. Público-alvo: interessados a partir de 16 anos. As inscrições são realizadas através do formulário https://forms.gle/JbixMC51vpBLQqBY8.

 

Após a estreia no CCBB BH, “Saudade” segue para o CCBB Brasília, onde cumpre temporada nos meses de fevereiro e março. O espetáculo tem o patrocínio do Banco do Brasil e inaugura em Belo Horizonte a nova safra de projetos de artes cênicas selecionados pelo Edital de Patrocínio CCBB 2026/27.

 

Sob a direção de Douglas Novais e direção musical de Everton Gennari, “Saudade” se constrói na intersecção entre o teatro popular e uma pesquisa multicultural. Ainda em sua fase inicial de pesquisa, em 2024, a montagem foi aprovada – entre mais de 200 inscrições, de 24 países – na Convocatoria Iberoamericana de Residencias de Creación, do Programa Iberescena, que selecionou apenas dois projetos. Esse reconhecimento gerou o ponto de partida para uma Residência Internacional realizada junto ao Teatre Nu, num vilarejo próximo a Barcelona, na Espanha, seguindo depois para Itália, França e Inglaterra. “Lá apresentamos uma primeira versão do espetáculo em espanhol para um público que, no debate pós-espetáculo, parecia tão conectado à obra que foi como se, entre aquele vilarejo catalão e nosso Brasil profundo, não houvesse tanta diferença assim”, conta o diretor Douglas Novais.

 

A música ao vivo, executada em cena por 13 intérpretes, ocupa papel central na construção de “Saudade”. O espetáculo se apoia em canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim — repertórios populares e amplamente reconhecíveis, capazes de acionar referências afetivas e experiências inscritas no imaginário coletivo. Mais do que acompanhar a ação, a música organiza a progressão das cenas e cria um espaço de comunhão entre palco e plateia, no qual o canto coletivo atravessa línguas, territórios e gerações, reforçando a dimensão compartilhada da experiência cênica.

 

Visão crítica – O crítico e fotógrafo Bob Sousa assistiu ao ensaio aberto de “Saudade” no dia 17 de dezembro, realizado para convidados no Teatro de Arte e Ofício (TAO), sede do grupo Os Geraldos em Campinas (SP), e publicou o texto “A fé cênica dos Geraldos” (que pode ser acessado aqui). Em sua análise, Bob observa que a visualidade ocupa um lugar estruturante na encenação, sendo tratada “não como ornamento, mas como espinha dorsal da experiência cênica”. Segundo ele, imagem, som, palavra e corpo operam de forma integrada, constituindo um campo de memória compartilhada que articula infância, morte e saudade sem recorrer a uma narrativa ilustrativa, mas a partir da própria construção da cena.

 

Bob Sousa também aponta a presença clara das referências estéticas do espetáculo, especialmente a inspiração nas pinturas de Cândido Portinari, perceptível no modo como a encenação se volta ao homem comum e ao Brasil interiorano. Objetos cotidianos e materiais simples surgem, segundo o crítico, como “vestígios de um Brasil profundo”, carregados de memória e significado simbólico. Ele destaca ainda o papel do coro como elemento central da linguagem d’Os Geraldos, responsável por diluir protagonismos individuais e afirmar uma cena fundada no trabalho coletivo. Para Bob, “Saudade” se apresenta como uma obra que assume o teatro de grupo como escolha estética e ética, tratando a memória e a perda a partir da partilha e da experiência comum.

 

Sinopse

Em um pequeno vilarejo, a morte, antes motivo de festa e brincadeiras infantis, transforma-se em um encontro íntimo com a fragilidade da vida e a força das memórias. Inspirado livremente no conto “Pinguinho”, de Viriato Correia, o espetáculo “Saudade” celebra a poesia das raízes de um povo, conectando o interior do Brasil a tantos outros cantos.

 

Os Geraldos – É um grupo de teatro formado por artistas, de 18 a 59 anos, que vêm de pequenas cidades do interior de São Paulo e de outros estados, trazendo consigo um olhar enraizado no Brasil profundo. Desde 2008, o grupo desenvolve um teatro popular que valoriza a relação direta com o público e combina pesquisa técnica com a vivência de quem conhece o país por dentro. A estética do grupo desenvolve-se em três frentes principais: as Visualidades do Espetáculo, com um ateliê próprio responsável pela criação de figurinos, cenários e iluminação; a Expressividade Vocal, que investiga a palavra falada e cantada como matéria central da cena; e o Coro, entendido tanto como base estrutural da encenação quanto como um signo da ética do trabalho coletivo, de modo que a relação entre estética e ética se manifesta na cena e no processo de criação.

 

O grupo já passou por 105 cidades, em 24 estados brasileiros e 10 países. Além da circulação nacional e internacional, Os Geraldos administram o Teatro de Arte e Ofício (TAO), um espaço independente de 41 anos, que é sede para suas criações, formações e para o fortalecimento de uma cena teatral coletiva e acessível.

 

 

Circuito Liberdade

O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.

 

 

Serviço

Espetáculo Saudade – Estreia nacional 

Local: Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)

Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – BH/MG

Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h

Temporada: de 09/01 a 02/02, de sexta a segunda-feira, às 20h

 

Ingresso: R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada).

Venda: no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH.

 

Informações: (31) 3431 9400 | ccbb.com.br/bh | Instagram.com/ccbbbh | Facebook.com/ccbbbh

 

Duração: 56 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

 

Oficinas

“Voz em Ação” – dia 17 de janeiro, sábado, das 11h às 13h

“Corpo-coro” – dia 18 de janeiro, domingo, das 11h às 13h

Público a partir de 16 anos

Inscrições: https://forms.gle/JbixMC51vpBLQqBY8

Bate-papo com o público “Olhar em Cena”

Após as sessões das sextas-feiras

Aberto ao público em geral

 

Informações: (31) 3431 9400 | ccbb.com.br/bh

Instagram.com/ccbbbh | Facebook.com/ccbbbh

E-mail: ccbbbh@bb.com.br

 

Assessoria de comunicação do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte 

Tiago Ferreira – tiagoferreira@bb.com.br – (31) 3431-9420/9400

 

Assessoria de imprensa do espetáculo – CS Comunicação e Arte 

Cristina Sanches – (31) 98489 2098 | cristinasanches@cscomunicacao.com

@cs.comunicacao.arte

 

 

 

 

EXTRAS

Oficina – Voz em Ação

Uma vivência prática sobre a voz falada e cantada como motor de criação cênica. Trabalha-se a transformação da palavra em ação vocal, investigando seus sentidos, sua função dramatúrgica e sua potência na cena. Também são desenvolvidos exercícios de ritmo, resistência respiratória e timbragem, destacando a brasilidade como elemento poético e expressivo da voz.

Oficina – Corpo-Coro

Oficina que explora a presença cênica do coro como protagonista na cena, a partir de jogos, partituras físicas, vocais e rítmicas, desenvolvendo a escuta, a percepção do coletivo e a construção de cenas a partir da força do grupo.

 

Bate-papo – Olhar em Cena

Voltado ao público geral, propõe uma reflexão sobre a experiência de assistir a um espetáculo, sem oferecer respostas prontas. Estimula o desenvolvimento do olhar do espectador como ato criativo, ampliando seu repertório sensível, imaginativo e interpretativo.

 

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