
Mostra com obras inéditas reúne obras recentes, com curadoria de Felipe Scovino, a partir de 21 de março
A Galeria Murilo Castro, em Belo Horizonte, inaugura no dia 21 de março, a exposição “Pintura Abismal”, do artista carioca René Machado. A mostra apresenta um panorama das produções mais recentes do artista, com obras inéditas e destaque para um painel de aproximadamente 7 metros de extensão, que se torna o eixo central da exposição. A visitação segue aberta ao público até o dia 25 de abril, na sede da galeria, no bairro Santa Lúcia.
Com curadoria de Felipe Scovino, a exposição reúne polípticos e pinturas sobre tela e linho que evidenciam a gestualidade característica da obra de René Machado, marcada por fragmentação, intensidade cromática e aproximação da cultura urbana. As obras foram produzidas recentemente e revelam um momento de aprofundamento da pesquisa pictórica do artista, explorando tensões entre abstração, ruído visual e os ritmos acelerados da vida contemporânea.
Para o artista, a exposição representa também um momento simbólico em sua trajetória. “Convidei o curador Felipe Scovino, que escreveu o texto, acompanhou o período de produção e deu o título para essa mostra, que se refere sobretudo às obras inéditas, entre elas um grande painel que ocupa um lugar central na mostra. Um conjunto de cerca de 7 metros por 2 de altura, no qual mergulho num universo completamente novo”, explica René Machado.
A exposição reúne ainda diferentes conjuntos de pinturas organizadas em polípticos, nos quais os gestos e as marcas do processo pictórico se tornam elementos estruturais da obra. “São conjuntos de linho e tela em que os gestuais se fazem presentes, um retrato daquilo tudo que venho desmembrando e que o trabalho vem apontando como caminhos, através da labuta diária e desse exercício contínuo”, completa o artista.
A mostra também celebra sua aproximação com o cenário artístico mineiro. “É também um momento de celebrar a parceria com a Galeria Murilo Castro, uma incursão muito especial nesse mercado das Minas Gerais através de uma galeria reconhecidamente séria e importante no cenário nacional.”
A curadoria de Felipe Scovino propõe uma leitura da obra de René Machado a partir da intensidade de seus gestos e da maneira como a pintura faz referência ao ambiente urbano. Para o curador, a produção recente do artista apresenta uma pintura abstrata profundamente conectada ao ritmo das cidades. “A pintura do René tem uma ligação muito estreita com a cultura urbana, com a cidade, com um certo barulho da cidade”, observa.
Essa relação se manifesta tanto na gestualidade das pinceladas quanto nas referências visuais que atravessam as obras. “Há uma associação livre e direta com o grafitti, com a colagem e com exercícios estéticos que se aproximam da cultura de massa. As imagens não aparecem de modo figurativo, não vemos uma casa ou uma figura humana. Tudo se coloca de maneira fragmentada, partida”, analisa Scovino.
Essa fragmentação dialoga com a velocidade do mundo contemporâneo. “As imagens se apresentam de forma muito instantânea, como um mundo que se comunica com uma dinâmica acelerada”. Ao mesmo tempo, a exposição revela contrastes importantes na produção recente do artista. Scovino destaca especialmente a presença de pinturas com fundo escuro, que introduzem uma dimensão mais dramática na obra. “Há um contraste muito forte entre o fundo preto e as cores vibrantes que René utiliza, como azul e vermelho. Essas pinturas apresentam também uma verticalidade que sugere uma presença quase corporal. São pinturas alongadas, com algo um tanto antropomórfico”, completa.
Essa tensão entre precisão e instabilidade é central na obra de René Machado. O que se coloca ali com precisão é exatamente a forma imprecisa. A gestualidade é um elemento definidor do trabalho do artista. Diferente de uma pintura baseada em equilíbrio ou controle formal, o gesto de René Machado é instável, irregular e fragmentado, refletindo a inquietação do tempo presente. A pintura incorpora excesso, ruído e desordem como elementos constitutivos de sua linguagem, estabelecendo um paralelo entre o espaço pictórico e a experiência urbana contemporânea.
Nesse contexto, a chamada “pintura abismal” não busca representar literalmente um abismo, mas criar uma experiência de vertigem visual. As obras são construídas por sobreposições, fragmentos e estímulos visuais que evocam a sensação de crise e de ruptura próprias do mundo atual. Ao mesmo tempo, como aponta o curador, essa crise não se traduz apenas em desamparo, mas também em pulsão de vida e energia criativa.
Serviço
Pintura Abismal – René Machado
Abertura: 21 de março, das 11h às 14h
Visitação: 23 de março a 25 de abril
Local: Galeria Murilo Castro (Rua Saturno, 10 – Santa Lúcia – Belo Horizonte – MG)
Mais informações: https://murilocastro.com.br
Sobre René Machado
René Machado nasceu no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Formado pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, tem na pintura o foco central de sua produção. Sua obra dialoga com tradições da pintura contemporânea que revisitam os desdobramentos da Pop Art e do neoexpressionismo. Referências como Richard Prince, Gerhard Richter e Christopher Wool ajudam a situar sua pesquisa dentro de uma linhagem de artistas que reprocessam criticamente os legados da arte do século XX.
O trabalho de René também incorpora influências de sua trajetória pessoal e profissional. Antes de se dedicar integralmente à arte, atuou como publicitário, experiência que se soma às referências visuais da cultura urbana e da arte de rua presentes em sua produção.
Suas obras já foram exibidas em diversos países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Itália, Espanha e França, e integram coleções importantes, como as do Museu Nacional de Belas Artes, da Coleção Luciano Benetton e da Coleção Fadel.
Em 2020, fundou no Rio de Janeiro a Casa Arlette, um centro de produção artística contemporânea que abriga artistas residentes e promove encontros entre artistas e intelectuais.
Sobre a Galeria Murilo Castro
A Galeria Murilo Castro é uma galeria de arte contemporânea sediada em Belo Horizonte que promove novas ideias desde 2002. Por meio de exposições e da representação de artistas, destaca criadores estabelecidos, em meio de carreira e talentos emergentes que atuam local e internacionalmente.
Influentes em esferas culturais e políticas, os artistas representados pela galeria desenvolvem trabalhos multimídia e interdisciplinares que atravessam diferentes territórios e linguagens.
A galeria entende a prática artística como forma de pesquisa e produção de conhecimento. Além de seu programa de exposições e da participação em feiras de arte nacionais e internacionais, realiza também palestras e encontros que aproximam artistas, profissionais da arte e público interessado em aprender e colecionar arte contemporânea.



