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Do Rey de Copas ao Palestra Itália: tecnologia têxtil de Joinville chega às novas camisas de gigantes sul-americanos

O futebol sul-americano acaba de ganhar novas camisas carregadas de história. Em comum, além da tradição dos clubes que representam, os uniformes do Club Atlético Independiente, da Argentina, e do Palmeiras, do Brasil, têm tecnologia têxtil desenvolvida em Joinville, no Norte de Santa Catarina, pela Diklatex. As peças chegam ao mercado em um momento em que os dois clubes revisitam suas identidades para projetar novos capítulos de suas trajetórias.

No caso do Independiente, tanto a camisa titular, vermelha, quanto a camisa branca, apresentada recentemente, são feitas com o Jacquard produzido pela Diklatex. Sob o conceito de “Forjada en el Infierno” o design traz um padrão inspirado no fogo, que remete ao Diablo, símbolo histórico do clube, e traduz visualmente a paixão, o caráter e a mística que fazem parte de sua identidade. A nova pele do Rey de Copas também resgata elementos associados a uniformes históricos da instituição. O clube de Avellaneda é o maior campeão da história da Copa Libertadores, com sete títulos. Quatro deles foram conquistados consecutivamente, entre 1972 e 1975, uma sequência que ajudou a consolidar o apelido de Rey de Copas.

A nova fase também tem dimensão comercial. Independiente e PUMA renovaram sua parceria até 2031, em um acordo que o clube classificou como o maior contrato de patrocínio técnico de sua história. O vínculo prevê US$ 2,5 milhões de bônus de assinatura, US$ 1 milhão por ano entre valor mínimo garantido e royalties, 24 mil peças sem custo por ano e royalties de 6% sobre as vendas líquidas, com projeção conservadora de US$ 31,4 milhões para o acordo.

No Brasil, o Palmeiras apresentou em 21 de agosto sua nova terceira camisa, predominantemente azul, também produzida pela PUMA. A peça celebra as raízes italianas do clube e os 20 anos da conquista da Itália na Copa do Mundo de 2006. O uniforme recupera a Cruz de Savoia, símbolo utilizado pelo Palestra Itália em 1916, e traz elementos como a gola em “V”, um patch com o mapa da Itália e as inscrições “Avanti Palestra 2026/1914” e “Scoppia che la vittoria è nostra”.

A escolha do azul não é uma novidade casual na história palmeirense. Nos primeiros anos do Palestra Itália, o clube utilizava também uma camisa azul com faixa branca e a Cruz de Savoia, em referência às cores do então Reino da Itália. O próprio Departamento de História do Palmeiras registra que o uniforme azul foi usado de forma alternada nos três primeiros anos da instituição.

Fabricada em 100% poliéster reciclado, a nova camisa do Palmeiras incorpora a tecnologia dry CELL da PUMA, voltada à absorção de umidade em atividades de alta performance. A peça está disponível nas versões Jogador, Torcedor e Infantil, com preços que variam de R$ 369,99 a R$ 599,99.

De Joinville para o futebol da América Latina

É nesse encontro entre tradição esportiva e inovação que entra a Diklatex. Com sede em Joinville e mais de 45 anos de experiência no desenvolvimento de tecidos técnicos, a empresa catarinense atende mais de 100 marcas no Brasil e no exterior e registra presença em mais de dez mercados internacionais. Sua atuação no futebol inclui clubes brasileiros e sul-americanos e as seleções da Argentina e da Colômbia.

No futebol brasileiro, os tecidos da empresa já foram utilizados por clubes como Palmeiras, Flamengo, Vasco, Atlético-MG, Fortaleza, Bahia, Botafogo, Remo e outros. Na América Latina, a trajetória inclui nomes como Boca Juniors, River Plate, Racing, Peñarol, Bolívar, Jorge Wilstermann e Independiente. A empresa também desenvolveu o artigo exclusivo utilizado na camisa que celebra os 50 anos da parceria entre a Associação de Futebol Argentina (AFA) e a Adidas, inspirada no uniforme campeão mundial de 1974.

“Quando uma camisa histórica chega ao campo, o torcedor enxerga as cores, o escudo e os símbolos que representam o clube. Para a indústria têxtil, existe toda uma engenharia por trás dessa experiência. É no tecido que começam características como leveza, respirabilidade, secagem rápida, resistência e conforto”, afirma André Jativa, CEO da Diklatex.

A experiência acumulada pela empresa acompanha a própria transformação dos uniformes esportivos. As camisas deixaram de ser apenas elementos de identificação para se tornar equipamentos de performance e, ao mesmo tempo, produtos de moda, colecionáveis e símbolos de pertencimento. Para responder a essas demandas, a engenharia têxtil precisa considerar estrutura da malha, gramatura, ventilação, transporte de umidade, elasticidade, resistência e compatibilidade com a identidade visual de cada projeto.

Essa evolução também explica a presença crescente de materiais reciclados no futebol. A Diklatex informa que desenvolve tecidos com poliéster reciclado, além de outras fibras e tecnologias voltadas à performance esportiva. Em seu portfólio para futebol, a empresa destaca soluções que combinam leveza, respirabilidade, secagem rápida, resistência e conforto, atributos importantes para atletas submetidos a movimentos explosivos, contato físico e diferentes condições climáticas.

A nova pele de clubes que carregam histórias diferentes

Embora tenham trajetórias distintas, Independiente e Palmeiras compartilham uma característica: seus novos uniformes utilizam o passado como ponto de partida para falar sobre o futuro.

Em Avellaneda, o conceito “Forjada en el Infierno” recupera a mística construída ao longo de décadas de conquistas continentais. Em São Paulo, o azul resgata o Palestra Itália e a origem italiana do clube, transformando referências centenárias em um produto contemporâneo.

Para a Diklatex, as duas camisas representam também a evolução de uma indústria que, a partir de Joinville, participa de uma cadeia cada vez mais internacional. Do vermelho do Rey de Copas ao azul inspirado na Itália do Palestra Itália, a matéria-prima que ajuda a vestir essas histórias nasce no mesmo polo têxtil catarinense. É uma trajetória que conecta a indústria brasileira à linguagem universal do futebol e mostra como inovação, identidade e tradição podem começar no mesmo lugar: no tecido.

 

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