Com produção de Paulo Santos, disco chega às plataformas digitais em 12 de maio, terça-feira, e reúne repertório de diferentes compositores da música brasileira
A cantora e compositora mineira Selmma Carvalho lança no dia 12 de maio, terça-feira, em todas as plataformas digitais, o álbum “Pura razão do sentido”, seu quinto trabalho de estúdio. O disco sintetiza uma trajetória de mais de 30 anos na música brasileira e inaugura uma nova etapa criativa, marcada pela experimentação sonora e pela maturidade interpretativa.
“Pura razão do sentido” nasce de um período de afastamento dos estúdios, marcado por reflexão e transformação pessoal. “Não foram em vão os muitos anos longe dos estúdios, das gravações. Nesse tempo pude me aprofundar em questões referentes ao todo, para um bem maior e um novo caminho”, destaca a artista.
O repertório do álbum reúne composições de Sérgio Moreira, Kleber Albuquerque, Tata Fernandes, Adolar Marin, Flávio Alves, Ederaldo Gentil, Murilo Antunes, Chico Amaral, Carlos Careqa e Reginaldo Bessa, costuradas por uma unidade conceitual que atravessa temas como tempo, escolhas, afetos e permanências.
A produção musical de Paulo Santos, integrante do UAKTI, é determinante para essa identidade. Reconhecido por sua pesquisa com instrumentos não convencionais e por sua atuação no campo da música instrumental, o músico imprime ao álbum uma paleta sonora rica em texturas, explorando marimbas, percussões variadas, objetos sonoros e elementos eletrônicos com sutileza.
Além de assinar os arranjos e a direção musical, Paulo Santos conduz um processo de criação atento às singularidades de cada faixa, explorando timbres e estruturas pouco convencionais. A colaboração também representa um marco para ambos. “Considero inédito dois fatos: esse é o meu quinto álbum, e o vejo como um novo começo. Outro fato é que essa parceria com Paulo Santos não foi inédita somente pra mim, foi pra nós; é a primeira vez que ele assina uma produção musical na totalidade com uma cantora”, revela Selmma.
O processo de produção se deu de forma gradual, permitindo o aprofundamento artístico. O resultado é um álbum que equilibra diversidade estética e coerência conceitual, no qual cada faixa apresenta um universo próprio, conectado por uma mesma linha sensível e reflexiva. “Sons que me encantaram, me seduziram e que foram construídos passo a passo, sem pressa, sem ansiedade, dando tempo para que eu pudesse me aprofundar em cada canção escolhida”, destaca a cantora.
Selmma Carvalho
Cantora, compositora e pianista mineira, nascida em Nova Lima e radicada em Belo Horizonte, Selmma iniciou seus estudos musicais aos oito anos de idade, formou-se em piano pela UFMG e em Artes Plásticas pela FUMA, construindo uma trajetória artística que transita entre diferentes linguagens.
Começou a carreira em 1991, apresentando-se em bares da capital e do interior de Minas. Em 1996, lançou o primeiro álbum, “Selmma Carvalho”, com direção musical de Mauro Rodrigues, que lhe rendeu indicação ao Prêmio Sharp como cantora revelação. Na sequência vieram “Cada lugar na sua coisa” (1999), produzido por Swami Jr.; “O que será que está na moda?” (2005), com produção de Rogério Delayon e presença recorrente entre os mais vendidos pela Tratore; e “Minha Festa” (2012), também produzido por Delayon, marcando sua estreia como compositora e letrista em faixas autorais e parcerias.
Ao longo da carreira, participou de diversos projetos e gravações, incluindo trilhas de produções audiovisuais como a minissérie “Chiquinha Gonzaga”, da TV Globo, e trabalhos realizados com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais no Palácio das Artes. Também integrou coletâneas e discos produzidos por diferentes artistas e projetos culturais.
Selmma acumula colaborações com nomes como Swami Jr., Marco Lobo, Tuco Marcondes, Toninho Ferragutti, Chico Amaral, Samuel Rosa, Ricardo Koctus, Chico César, Carlos Careqa, Kleber Albuquerque, Sérgio Pererê, Zeca Baleiro, Verônica Sabino, Marcos Suzano e Roberto Garcia, além de destacar a participação especial de Walter Franco em seu primeiro álbum.
Faixa a faixa
1 – VOCÊ E EU
(Sérgio Moreira)
Canção que ouvi muito na voz do compositor, e sempre sentia algo intenso, uma emoção boa. Estar com alguém, seja esse alguém quem for nas estradas da vida é uma dádiva, ter a presença, sentir o cuidado, o amor, o companheirismo, a cumplicidade. (Selmma Carvalho)
Quando a Selmma me mostrou esta música, achei super interessante a forma ritmica, que propunha um samba reggae bem lento. Na parte “A” da música, coloquei na Marimba de Vidro a série harmonica e o rítmo do samba reggae, com uma leve ambientação eletrônica na base. Na parte “B” o samba reggae toma conta da cena, com toda instrumentação percussiva, a música prossegue com um intermezzo para um solo vocal e volta a Parte “B”para o final. (Paulo Santos)
Paulo Santos: programação digital, marimba de vidro, tambor sírio, caixa clara, surdo e timba.
Tunico Villani: agbê, ferro (gonguê) timba, timbau e xequerê
Josefina Cerqueira: timba e surdo
Selmma Carvalho: voz e vocais
2 – POR ONDE?
(Kleber Albuquerque / Tata Fernandes)
O clima da primeira parte dessa canção é um mistério, perguntas tantas vezes sem respostas, que somente o tempo traz, e que são questionadas na segunda parte, que traz um outro momento mais descontraído. Paulinho Santos soube captar bem esse sentido, dando a ela o clima que eu imaginava. (Selmma Carvalho)
Esta música, desde a primeira vez que ouvi, senti que a letra me propunha duas músicas, uma pergunta e uma resposta, ou duas bases muito distintas. Foi por onde caminhei, desdobrei a primeira parte em um compasso composto, e a resposta ou segunda base, em um rítmo de forró. Ela termina com um diálogo entre a Selmma e a Trilobita, instrumento de percussão. Neste arranjo, contei com a ajuda (nas idéias, nas escolhas e na performance), do querido Richard Neves. (Paulo Santos)
Paulo Santos: programação digital, darbuka, pau de chuva, tambor dágua, trilobita, pandeiro de coxa, couros do MST, triângulo e congas
Richard Neves: viola caipira, baixo e instrumentos digitais
Selmma Carvalho: voz e vocais
3 – LOGOS
(Adolar Marin / Flávio Alves)
Logos é a pura razão do sentido, nossos valores, escolhas, o caminho a seguir, a lealdade dos propósitos. A queima do superficial, enfim, o que importa verdadeiramente. (Selmma Carvalho)
É uma música instigante, que provoca sentimentos e sensações. O Violão genial do Rafael Pimenta abre a sessão e segura a base. Busquei várias texturas rítmicas nas marimbas, criando células superpostas num movimento minimalista. Um coral de flautas, cria a ambiência e o apoio harmônico, junto com os instrumentos digitais. A cada volta do tema, um tipo de relevo sonoro. No final, o ostinato da marimba, brinca com o duo voz e flauta. (Paulo Santos)
Paulo Santos: programação digital e marimba de angelim
Selmma Carvalho: piano, voz e vocais
Rafael Pimenta: violão
Bruno Pimenta: flautas
4 – O OURO E A MADEIRA
(Ederaldo Gentil)
Um samba dos mais belos, bem reflexivo, expressa com clareza a pequenez do homem frente a todo esse sistema, essa engrenagem social e seus valores. O arranjo de Paulinho Santos foi inspirador, com seus sons aquáticos trouxe uma beleza rara! (Selmma Carvalho)
Este arranjo nasceu de um olhar da Selmma para a letra, que tem várias citações sobre água. Achei super legal, tive várias experiências de tirar som na água, a partir daí fiz a base percutindo na água, e com garrafas de vidro sopradas e afinadas com água, criei a base melódica. Um violão de sete cordas cria a ambiência harmônica, e a percussão muito leve cria o sabor do samba. Momento emocionante quando a Selmma e as irmãs cantam juntas, interpretando o coral da música. (Paulo Santos)
Paulo Santos: instrumentos digitais, marimba de vidro, garrafas sopradas, água percutida, tamborim e surdo.
Selmma Carvalho: piano, voz e vocais
Susane Carvalho e Simone Carvalho: vocais
Rafael Pimenta: violão base e violão 7 cordas
5 – CUIDADO FRÁGIL
(Sérgio Moreira / Murilo Antunes)
A velha história do sexo frágil trazida à tona desde sempre pelos olhares distorcidos do machismo. Carregamos isso por séculos, e o tempo vai lentamente desconstruindo essa crença tão limitante. (Selmma Carvalho)
Foi uma das primeiras músicas que a Selmma me mostrou. Originalmente a base ritmica é um fox trot. A primeira idéia foi desconstruir ritmicamente e colocar células rítmicas nas marimbas que dialogassem entre sí, marimbas de Madeira e Marimbas de Vidro fazendo desenhos complementares. O Ukulêlê traz um timbre único e uma base harmônica. Nesta música o especial acontece na parte final, em um diálogo entre a voz e o flugelhorn, mostrando a força da fragilidade. (Paulo Santos)
Paulo Santos: programação digital , tubos, caixa,marimba de vidro e marimba de angelim
Rafael Pimenta: ukulele
6 – ESPERANÇA
(Chico Amaral)
Me encantei por essa belíssima composição, ela nos dá um impulso para avançar, superar desafios, acreditar e agir. Uma força interior muito forte e motivadora que nos permite enxergar possibilidades, onde há incertezas, sombras, dúvidas, intrigas, mentiras. E nela vejo muitos grandes guerreiros importantes da nossa história. (Selmma Carvalho)
Música linda do Chico Amaral. Me guiei pela sonoridade das feiras do nordeste e comecei com timbres de Rabeca, Pandeiro, Tambor e Triângulo. Utilizei a forma estrutural A B A, para criar a ambiência de se sentir um dia em uma feira, Violão, Piano, Marimbas e Sanfona fazem a base, para este passeio. Um Baque de Maracatu puxa a festa, terminando na sonoridade inicial de Rabeca, Pandeiro, tambor e triângulo. (Paulo Santos)
Paulo Santos: escaleta, tabla, marimba de angelim, er-hu e tubos
Selmma Carvalho: piano, voz e vocais
Rafael Pimenta: violão e cavaquinho
Josefina Cerqueira: caixa, agbê e bombos
Lisa Santos: bombo de repique, caixa, agbê e bombos
Corisco: caixa, agbê e bombos
7 – A GENTE É MULHER
(Carlos Careqa)
“Agir para não agir” de forma insensata, reativa. “Pensar para não pensar” no que nada acrescenta. “Mergulhar na surpresa e nunca temer” é algo que tira o medo do desconhecido. Confiar na trilha, nas escolhas, na sabedoria da natureza que é um grande oráculo. E a porção feminina imprescindível! A gente é mulher! (Selmma Carvalho)
Esta Música me trouxe sensações diferentes em cada parte. A introdução me inspirei em um loop eletrônico, quase um mantra, que é seguido por um violão de aço tocado com arco e o Berincéu, instrumento metálico. Uma guitarra excelente de André Cabelo, interrompe o loop e faz um solo romântico. A base que vem para a segunda parte é uma poliritmia, com as marimbas e a percussão, entregando para um solo de Xilofone no final. (Paulo Santos)
Paulo Santos: programação digital, tablas, tubos, berincéu, marimba de vidro, violão com arco, couro e sementes do MST
Selmma Carvalho: piano, voz e vocais
André Cabelo: guitarra
8 – A VIDA ME DEU UM LIMÃO
(Chico Amaral)
Um samba incrível que começa com uma expressão popular tão conhecida e usada no dia a dia! “A vida me deu um limão, tô fazendo limonada” expressão essa, usada pelos que superam e seguem em frente com fé e com lições aprendidas, nessa grande escola da vida, essa é a história desse samba inspirado. (Selmma Carvalho)
Desde a primeira vez que ouvi esta música, me trouxe na memória um grande violonista de BH, Flávio Fontenele, e ele topou fazer o Violão de 7 cordas que deu o olhar refinado ao super refinado pagode, daí foi fazer a limonada, no cavaquinho, Rafael Zavagli e na percussão o mestre Rogério Sam, que coloriu e criou relevos sonoros distintos. (Paulo Santos)
Paulo Santos: tablas e taquará
Flávio Fontenelle: violão e violão 7 cordas
Rafael Zavagli: cavaquinho
Rogério Sam: reco reco, cuíca, tan tan, sheik, surdo, tamborim, frigideira e pandeiro
Selmma Carvalho: voz e vocais
9 – O TEMPO
(Reginaldo Bessa)
O tempo: todo o sentido está nele, tudo que foi criado, destruído, reconstruído. O momento oportuno, a densidade do viver, o tempo é rápido para os que temem, longo para os que lamentam, curto para os que celebram, eterno para os que amam, perdido para os que não aceitam a transitoriedade. (Selmma Carvalho)
Esta foi a primeira música que a Selmma me mostrou. Me falou sobre a letra e o significado do tempo como proposta para o álbum e este seria o ponto de partida. Neste primeiro impulso, pensei em um tango, o Violão conduz a base, junto com a Percussão e as Cordas, o Vibrafone faz o contraponto com a Voz. Na segunda parte as cordas fazem um movimento glissando em X, criando um movimento elástico no tempo. (Paulo Santos)
Paulo Santos: programação digital, vibrafone, tambor d´água, agogô, caixa, ganzá, darbuka e efeitos.
Rafael Pimenta: violão nylon
Milton Ramos: baixo acústico
Selmma Carvalho: voz e vocais
Ficha técnica
Produção executiva e direção artística: Selmma Carvalho
Arranjos e direção musical: Paulo Santos
Fotos: Miguel Aun
Locação das fotos: Daniel Reis – Casa Branca
Projeto gráfico: Otávio Bretas
Maquiadora: Clarisse Padilha
Corte e luzes do cabelo: Thiago Vinícius
Gravação, mixagem e masterização: Estúdio Engenho por André Cabelo
Gravação do violão nylon – faixas 8 e 9: Leve Music Studio por Felipe Fantoni
Serviço
Lançamento do álbum digital “Pura razão do sentido” de Selmma Carvalho
Data: 12 de maio de 2026
Artista: Selmma Carvalho
Disponível em: plataformas de streaming














































































