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Figurinos de “O Silêncio de Eva” recriam o cinema mudo mineiro

Em cartaz no Una Cine Belas Artes, filme de Elza Cataldo revela bastidores da criação de figurinos inspirados na década de 1920

O documentário O Silêncio de Eva, dirigido por Elza Cataldo, segue em cartaz no Una Cine Belas Artes, em Belo Horizonte, agora no horário de 16h, e amplia sua potência estética ao revelar, em cena, um cuidadoso trabalho de recriação visual que tem no figurino um de seus principais elementos narrativos. Assinado por Sayonara Lopes, o figurino do filme resgata o universo do cinema mudo produzido em Minas Gerais na década de 1920, aprofundando a experiência sensorial e histórica proposta pela obra.

O convite para integrar o projeto partiu da diretora Elza Cataldo, dando início ao processo criativo que rapidamente se mostrou singular. “Foi um fascínio imediato. Trabalhar com o cinema mudo feito em Minas Gerais nos anos 20 é uma oportunidade única. Estamos acostumados a uma referência muito americanizada, e esse projeto revela uma outra perspectiva, profundamente brasileira”, afirma Sayonara.

Com linguagem híbrida entre documentário e ficção, o filme utiliza o figurino como ferramenta essencial na construção dos personagens e na condução do olhar do espectador. “O cinema conta histórias com imagens, e o figurino ajuda a guiar essa narrativa. A silhueta, o caimento dos tecidos e os detalhes ajudam a construir quem são esses personagens”, explica.

A criação dos figurinos foi marcada por um intenso processo de pesquisa histórica, especialmente desafiador pela escassez de registros sobre a época e sobre a própria Eva Nil. A equipe trabalhou a partir de fotografias e fragmentos visuais, desenvolvendo peças com materiais como algodão, linho, seda e brocado, além de estampas exclusivas.

O trabalho foi desenvolvido em diálogo direto com a direção de arte de Moacyr Gramacho, garantindo unidade estética entre cenários e figurinos. “Trabalhamos cena a cena para que tudo tivesse a mesma linguagem visual”, destaca Sayonara.

Mais do que reconstituição de época, o figurino acompanha também a dimensão emocional da narrativa. “Todo personagem tem uma curva dramática, e isso aparece nas cores, nas texturas e nas formas”, afirma a figurinista, ressaltando o papel do figurino como elemento expressivo dentro do filme.

Dirigido e produzido por Elza Cataldo, O Silêncio de Eva tem roteiro assinado por Christiane Tassis, Inês Peixoto e a própria diretora. A direção de fotografia é de Fernanda Tanaka e Marcelo Borja, com montagem de Armando Mendz. No elenco, Inês Peixoto conduz a narrativa ao lado de Bárbara Luz, que dá vida a Eva Nil nas sequências encenadas, além de participações de Eduardo Moreira, João Perdigão, Luís Parras, João Vitório e José Vilaça.

Sinopse
O Silêncio de Eva resgata a história de Eva Nil, estrela do cinema mudo brasileiro que abandonou a carreira no auge e caiu no esquecimento. A atriz Inês Peixoto percorre sua trajetória, revive cenas perdidas e investiga os silêncios de uma mulher à frente de seu tempo. Com linguagem poética, o documentário é um tributo à memória do cinema, à força feminina por trás das telas e às histórias apagadas que merecem ser contadas.

Serviço

Lançamento do documentário “O Silêncio de Eva”
Quando: a partir de 26 de março

Local: Una Cine Belas Artes – R. Gonçalves Dias, 1581 – Lourdes, Belo Horizonte
Classificação: livre

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