Sidra ganha espaço à mesa e avança na gastronomia de BH
Com perfil meio seco e vocação gastronômica, sidra mineira Manza se aproxima do universo do vinho ao ganhar função na construção dos pratos em bares e restaurantes

A sidra vem ampliando seu espaço na gastronomia contemporânea e se distancia de associações limitadas ao assumir um papel mais definido à mesa. Antes ligada a ocasiões informais, a bebida se aproxima do universo do vinho ao incorporar linguagem técnica, maior complexidade sensorial e funções mais claras na experiência gastronômica. Na prática, atua como abre-paladar, percorre diferentes etapas da refeição e cria contraste em preparações mais gordurosas, ácidas ou picantes. Ao deixar de ser alternativa e assumir função estruturante, expande seu repertório e se afirma como uma categoria em transformação no circuito gastronômico.
Em Belo Horizonte, essa transição encontra um ambiente que combina produção local e liberdade criativa. Bares e restaurantes ampliam suas cartas e passam a trabalhar a sidra como recurso de composição, ajustando acidez, frescor e intensidade em diferentes propostas de prato.
Nesse cenário, a Manza Apple Cider se posiciona como um dos rótulos que traduzem essa fase. Produzida na capital mineira, a marca acompanha essa evolução ao priorizar um perfil orientado ao consumo gastronômico. O reconhecimento recente, com o primeiro lugar na Brasil RTD Cup 2026 entre mais de 90 bebidas avaliadas por júri técnico, reforça a consistência do produto e contribui para consolidar a sidra premium como categoria relevante no cenário brasileiro.
Elaborada com maçãs Fuji e Gala cultivadas no país, com adição de limão siciliano, a Manza passa por fermentação controlada e não recebe açúcares, corantes ou aromatizantes sintéticos. O resultado é uma sidra de perfil meio seco, marcada por acidez precisa, dulçor discreto e carbonatação moderada. Esse conjunto favorece a interação com a comida, permitindo que a bebida atue tanto na abertura da refeição quanto em pratos mais estruturados. “A sidra tem ganhado espaço porque entrega frescor e complexidade ao mesmo tempo. Quando entra no cardápio, não atua apenas como acompanhamento, mas como parte da construção do prato”, afirma Hélio Josengler, criador da marca.
No Cais Lab, em Santa Tereza, a chef Carol do Carmo trabalha essa relação a partir do contraste. O Torresmo Lambuzado reúne crocância e suculência, acompanhado de farofa de broa e vinagrete de amendoim cozido, que acrescenta frescor ao conjunto. “Ele é crocante por fora, suculento por dentro e carrega a essência do boteco mineiro”, explica. Na harmonização, a sidra atua como elemento de ajuste: a acidez reduz a percepção de gordura, o leve dulçor suaviza o salgado e o frescor acompanha o vinagrete. O resultado é uma experiência mais leve, que prolonga o consumo sem saturar o paladar.
No Fuga, comandado no salão por Nicolás Bollini, e na cozinha pelo Pedro Cunha, a proposta parte da diversidade e do compartilhamento. A seção de frios reúne pequenas porções de queijos, embutidos artesanais, picles, escabeches e conservas, servidas com pão de fermentação natural. “São porções pensadas para que diferentes sabores convivam na mesma experiência”, descreve Nicolás. Nesse contexto, a sidra funciona como elo entre os elementos: “Ela abre o paladar e sustenta a degustação. A acidez conversa com picles e escabeches, enquanto o frescor equilibra embutidos e queijos”, afirma. A cada combinação, novas nuances se revelam, evidenciando sua versatilidade.
Já no Amoreira 71, o chef Rodrigo Rodrigues desenvolve uma proposta centrada no equilíbrio entre texturas e intensidades. A couve-flor empanada em tempurá, servida com coalhada artesanal, tahine e mel de pimenta, combina crocância, cremosidade e picância. Nesse caso, a sidra atua como regulador sensorial. “A acidez cítrica e o frescor da maçã funcionam como um corta-gordura natural, enquanto o dulçor residual suaviza a picância e valoriza a cremosidade”, explica. A combinação não apenas equilibra, mas reorganiza a percepção dos sabores, criando uma experiência mais integrada.
Integrada de forma mais consistente às propostas dos bares e restaurantes, a sidra passa a ocupar um lugar mais definido na construção dos pratos e das experiências à mesa. No caso da Manza, esse potencial se amplia ao dialogar com diferentes repertórios culinários: a intensidade aromática favorece a cozinha mediterrânea, enquanto sua vivacidade acompanha com precisão a gastronomia japonesa. Em carnes brancas e queijos mais gordurosos, atua como contraponto leve, ajustando texturas e intensidades. Essa versatilidade também se estende à cozinha, onde pode ser incorporada a molhos, marinadas e preparos que pedem acidez mais vibrante, ampliando recursos sem sobrepor sabores. “Quando a sidra entra na cozinha ou na harmonização, ela traz frescor, limpa o paladar e evidencia nuances que às vezes passam despercebidas. É uma bebida que convida à experimentação e surpreende justamente por essa capacidade de revelar novas camadas na comida”, conclui Hélio Josengler.
SERVIÇO
Manza Apple Cider
Disponível em bares e restaurantes selecionados da capital
Vendas: https://www.manzacider.com/
Instagram: @manzacider
Cais Lab
Local: Rua Divinópolis, 215 – Santa Tereza
Instagram: @cais_lab
Fuga – Bar & Cozinha
Local: R. Outono, 486 – Cruzeiro
Instagram: @fuga.bh
Amoreira 71
Local: Rua do Ouro, 71 – Serra
Instagram: @amoreira71bar



