O estado de Minas Gerais, atingido por fortes chuvas que já deixaram 38 mortos e mais de 30 desaparecidos na região da Zona da Mata, registrou situação de emergência por desastres climáticos em 67% de seus municípios nos últimos cinco anos, entre 2020 e 2025. O dado integra levantamento da Codex, empresa especializada em governança de dados e mudanças climáticas, com base em registros oficiais da Plataforma Nacional de Informações de Desastres (S2iD), sistema do Governo Federal que reúne ocorrências reconhecidas em todo o país.
Ao todo, 575 dos 853 municípios mineiros tiveram emergências reconhecidas no período analisado, o que posiciona o estado na sexta posição entre os mais impactados do Brasil em termos proporcionais. À frente de Minas, estão Acre (100%), Amazonas (98,39%), Rio Grande do Sul (95,57%), Santa Catarina (87,12%) e Roraima (73,33%).
Para o diretor de Negócios da Codex, Venicios Santos, o percentual elevado de municípios com emergências reconhecidas demonstra que o problema não é isolado. “Quando mais de dois terços das cidades de um estado enfrentam situações de emergência em um intervalo de cinco anos, fica claro que não se trata de eventos pontuais. É um desafio estrutural, que exige planejamento contínuo, investimento em prevenção e uso estratégico de dados para prever riscos e orientar políticas públicas”, afirma.
Além do alto percentual de cidades atingidas nos últimos cinco anos, Minas Gerais acumulou R$ 4,2 bilhões em prejuízos públicos entre 2015 e 2024, conforme outro levantamento da Codex, também baseado nos dados da Plataforma Nacional de Informações de Desastres. No ranking nacional, o estado aparece na quarta posição em perdas financeiras no período, atrás de Paraíba (R$ 26,8 bilhões), São Paulo (R$ 11 bilhões) e Pernambuco (R$ 4,8 bilhões). Em todo o país, os danos somaram R$ 61 bilhões na última década.
“A vulnerabilidade é ainda mais acentuada em municípios de menor porte. Nacionalmente, cerca de 60% das emergências registradas na última década ocorreram em cidades com menos de 30 mil habitantes, que muitas vezes não dispõem de equipes técnicas permanentes, sistemas de monitoramento ou infraestrutura de dados para antecipar riscos. Sem planejamento baseado em dados e prevenção estruturada, os municípios tendem a continuar reagindo aos desastres, em vez de reduzir sua exposição e seus impactos ao longo do tempo”, complementa Venicios Santos.
Estados com maior percentual de cidades atingidas por desastres
- Acre – 22 municípios | 22 atingidos | 100,00%
- Amazonas – 62 municípios | 61 atingidos | 98,39%
- Rio Grande do Sul – 497 municípios | 475 atingidos | 95,57%
- Santa Catarina – 295 municípios | 257 atingidos | 87,12%
- Roraima – 15 municípios | 11 atingidos | 73,33%
- Minas Gerais – 853 municípios | 575 atingidos | 67,41%
- Maranhão – 217 municípios | 145 atingidos | 66,82%
- Espírito Santo – 78 municípios | 52 atingidos | 66,67%
- Pará – 144 municípios | 92 atingidos | 63,89%
Sobre a Codex: A Codex desenvolve soluções baseadas em inteligência de dados para apoiar instituições públicas e privadas na tomada de decisões estratégicas em áreas como mudanças climáticas, meio ambiente, governança de dados, cidades sustentáveis, infraestrutura e gás. Presente em mais de 16 estados brasileiros e com projetos em seis países, suas soluções já impactaram mais de 140 milhões de cidadãos, com mais de 20 milhões de dados processados.



